Rua Rodrigues do Santos – 1970


Tudo que vemos nessa foto não existe mais, casas, postes, placas de transito e até mesmo a rua, que desapareceu.
A Rua Rodrigues dos  Santos foi uma das ruas que foram riscadas do mapa nas atabalhoadas reformas urbanas no Estácio, parte dos imóveis caíram para a construção do Piranhão, posteriormente mais prédios foram demolidos para as escavações da gigantesca estação Estácio e por fim o que sobrou caiu para dar lugar a praticamente nada, um enorme vazio urbano que agora timidamente vai sendo ocupado, destino igual que terá o tal Porto Maravilha.
A Rodrigues dos Santos possuía uns 4 quarteirões começando na Rua Neri Pinheiro e terminando na também desaparecida Rua Machado Coelho, orientação essa partindo do Castelo. Nossa foto é tomada em direção a Neri Pinheiro.
Ela corria pelos fundos do hospital da Polícia Militar, inclusive no fim da Rua Visconde de Duprat, vista na próxima esquina, havia uma escadaria de acesso ao hospital, no ponto onde hoje há um estacionamento rente a encosta e velhos muros de arrimo.
A exata posição da rua pode ser apenas especulada, no traçado de hoje, pois mesmo os imóveis que vemos no fundo na Neri Pinheiro sumiram, possivelmente ela terminava na Neri Pinheiro onde hoje está um prédio da Universidade Petrobrás e os muros do prédio da Telefônica OI, num exercício podemos dizer que a atual Rua Ulysses Guimarães onde está o COR da PMCRJ é a herdeira espiritual da velha via.
O velho tecido urbano misturava prédios dos anos 30, sobradões, casas térreas do início do séc. XIX e galpões possivelmente já erguidos onde antigos imóveis já tinham caído, tudo envolto numa decadência que em compasso de espera imaginava a destruição total desde os anos 50, quando os planos de arruinamento do Mangue e do Estácio, se juntaram aos de destruição da Cidade Nova e partes do Catumbi dos anos 40.

14 comentários em “Rua Rodrigues do Santos – 1970”

  1. Essa rua era paralela a Afonso Cavalcante e Julio do Carmo. Cortava também a Pinto de Azevedo e a Pereira Franco. Parte da Pinto de Azevedo ainda existe, começando na rua Estácio de Sá e terminando na Ulysses Guimarães. Essa “reforma” foi uma das mais absurdas e radicais. Para construir a estação do Metrô do Estácio não seriam necessárias tantas demolições. Todo o lado esquerdo da Rua Estácio de Sá entre o Largo do Estácio e a Pinto de Azevedo foi demolido. Naquele trecho havia inúmeras casas de móveis. Também ali, quase na esquina de Machado Coelho, havia o bar de um português, o sr. Artur. No meu tempo de garoto, “infernizei” a vida do homem com “trotes” telefônicos, que aconteciam a qualquer hora. O homem era vizinho no Largo da Segunda-feira e tanto ela como sua mulher implicavam com o jogo de bola embaixo da janela do apartamento dele. Daí os xingamentos por parte dele e da mulher eram frenéticos, com palavrões que na época eram inéditos para mim. O “troco” vinha na forma de trotes telefônicos. Eram “outros tempos”…

  2. Mais uma aula do Andre. A rua passa um ar de abandono provavelmente por já estar “na marca do pênalti”. Essa seria a atual área do teleporto, pretexto para a derrubada da área restante da antiga VM?

  3. É um erro digno de Marco Licínio Crassus comparar a antiga região do baixo meretrício com a atual Vila Mimosa. Não há termo de comparação, da a imensidão da antiga “zona”. Além disso, o lado par da Presidente Vargas entre a rua de Santana e o início da Francisco Bicalho era composto de imóveis voltados para o lenocínio, bem como a General Pedra entre a Presidente Vargas e a Estrada de Ferro. Quando eu era “moleque” de uns 14 ou 15 anos, por duas ou três vezes acompanhei os “mais velhos” do Largo da Segunda-feira em “tours” na região, embora nunca fizesse “uso dos serviços oferecidos”. O aspecto interno era impressionante. Pessoas aglomeradas nas calçadas nas portas dos prostibulos em uma atividade frenética, mulheres de péssimo aspecto com os seios pendurados fazendo gestos sacudindo os dedos, muitas segurando rolos de papel higiênico, e ruas maltratadas como a da foto, davam um aspecto semelhante ao do “umbral”. Mesmo que eu tivesse idade, jamais teria coragem de fazer sexo com uma daquelas mulheres, já que seria repugnante por tudo o que foi narrado. Havia entretanto “famílias de bem” naquela “babel social”.

  4. O pessoal do caminhão parecia ser da Companhia Telefônica com aqueles cabos em carretel que se vê na traseira do veículo em conjunto com os trabalhadores.
    Na verdade, aquela área ali sempre foi degradada.
    Já falei isso em outras ocasiões e repito.
    Um dos muitos erros do RJ foi ter se concentrado do crescimento somente na região do Centro.
    Penso que o Centro era para ter crescido para outras periferias e não somente o que é.
    Talvez assim tivéssemos um área central melhor.
    Outra questão e que ficou do dito por não dito foi do empreendimento que Donald Trump iria fazer aqui, tendo como intermediário o neto do general Figueiredo.
    Isso parece de que não deu em nada e toda aquela área foi esquecida por mais uma vez.

  5. Tenho um cliente de 95 anos que ainda luta pela indenização do seu sobrado.
    Tudo feito as pressas, todo o entorno do metrô ficou horrível. Somente nos últimos anos vimos uma pequena melhora. O Rio está derretendo, fazendo água por todos os lados. Cada dia me pergunto se chegamos ao fundo do poço ….

  6. Meu comentário de ontem foi feito sem acesso a mapas, só me valendo da parca lembrança que tenho da região. Até que não era longe de onde eu pensava…

  7. Eu tenho uma foto da “Pinto de Azevedo” com boa resolução. Se o “gerente” tiver interesse em publicar, posso enviar…

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