Ipanema anos 50

Nosso amiguinho, personagem do post do dia 11 de Junho ( http://www.rioquepassou.com.br/2008/06/11/ )  aparece novamente no site, agora acompanhado de sua mamãe.
Eles passeiam pelo calçadão da Praia de Ipanema, que nessa época era no canteiro central da Av. Vieira Souto, pois como sabemos até os anos 60 a areia terminava diretamente no meio-fio da pista sentido Copacabana. No canteiro central tínhamos duas largas calçadas, uma aleia com jardins e coqueiros, bancos e os postes da iluminação pública. Só no final dos anos 40 início dos 50 é que começaram surgir lugares para pedestres nas areias com a criação dos oasis planejados pelo urbanista Azevedo Neto.
Nossa imagem mostra uma Ipanema ainda tranquila e fora de moda, um bairro para pessoas que realmente gostavam do local, com um comércio tradicional e uma boemia intensa em bares como o Lagoa, Zeppelim e Jangadeiros, mas longe dos holofotes que apontavam para a Princesinha do Mar à época no auge do seu processo de saturação e destruição. Pouco menos de 10 anos depois Ipanema iria entrar em igual processo.

10 comentários em “Ipanema anos 50”

    1. Caro Derani,
      Nem tudo eram flores na região de Ipanema e Leblon nos anos 50 e início dos 60. Realmente os bairros tinham características bem familiares e eram pouco expostos aos modismos, mas nunca foram muito tranqüilos. Havia na região a famosa favela (se chamavam assim na época e não “comunidades”) da Praia do Pinto, além de outras menores. Passear pelos dois bairros, principalmente próximo a elas, era se expor a assaltos. Tudo bem que era nos tempos das facas e dos saudosos revólveres calibre 38.
      Durante o ano havia ataques a pedradas de “menores” favelados aos “mauricinhos” da época, estes últimos filhos da classe média do bairro.
      Nos períodos de carnaval os favelados ficavam particularmente nervosos, e saíam pelas ruas do Leblon em blocos ruidosos e promovendo pequenos arrastões.

      1. Tive uma experiência diferente daquela do Victor. Andava de bicicleta pela Lagoa, passava em frente à Favela da Catacumba diariamente, indo e voltado do colégio, e nunca tive problemas.
        Nessa época também freqüentava o Flamengo que, ao lado da Favela do Pinto e sem muro, permitia o livre trânsito dos meninos da favela e nunca tive problemas.
        Ia sozinho, a pé, pela Praça N. S. Auxiliadora e jamais presenciei um assalto.
        Ruim mesmo eram os mosquitos e as moscas, que eram em grande quantidade.

        1. Caro Luiz D,
          Que privilégio você teve ao circular de bicilcleta pela Lagoa e Leblon nos anos 50 e 60. A vista era fantástica! Além da Lagoa e das praias, somente casas, prédios de 3 andares (com exceção da Ataulfo de Paiva e Visconde de Pirajá) e, principalmente, só moradores dos bairros da região.
          Não lembro do Flamengo sem muro que o separasse da favela, nem dos mosquitos e moscas, mas lembro do odor de emanava do local. Era insuportável.
          Estudava em um colégio na praça N. S. Auxiliadora e para alcançá-lo, evitando assaltos, tinha que contornar a favela, indo pela Bartolomeu Mitre.
          Os arrastões eram freqüentemente precedidos da expressão: “Me arruma 100 cruzeiros”, quantia esta que não saberia dizer quanto significava em moeda de hoje. Essa era a senha para o ataque que, tive sorte, sempre consegui evitar.

      2. Prezado Victor,
        Realmente devia haver algum tipo de violência mesmo nessa época. Mas quando me refiro à paz que era, comparo óbviamente aos dias de hoje.
        O Rio sempre foi uma cidade relativamente perigosa, talvez devido as diferenças sociais muito grandes. Desde os tempos do Império, daí a fama do famoso e folclórico “Major Vidigal” dos anos 1800 que impunha algum respeito entre os meliantes.
        Eu mesmo, na década de 60 fui vítima, criança, na então pacata Vila Isabel, principalmente quando estava bem-vestido para ir à cidade ou com uniforme escolar.
        Uma vez roubaram todo meu material escolar (não sei pra que…)

  1. Concordo com o Luiz D’.
    Nasci em Ipanema (em casa, no tempo das parteiras) em 1939.
    Estudei o então “curso primário” no antigo Colégio Santo Agostinho (hoje um edifício, mas na época um prédio, bonito, pequeno e acolhedor, com grande área livre em todo o quarteirão da Ataulfo de Paiva. A Igreja de Santa Mônica era linda, parecida com as capelas que hoje só são vistas em filmes europeus). Cortei muito caminho pela ‘Praia do Pinto’ sem nunca ter sido ‘seriamente’ molestado (uma corrida, às vezes, de algum grupinho apenas a fim de assustar e de ‘botar pra correr’. Coisas próprias de garotada). Mesmo quando minha turminha da rua Garcia d’Ávila ia jogar no ‘campo do Gasômetro’, dentro da ‘Praia do Pinto’ (lá embaixo da atual rua Almirante Guilhem – na época rua Dom Pedrito)era tudo normal e era comum fazermos boas amizades com a garotada da favela. Lembro do ‘Mitingo’, um amigo negro e favelado, bom de bola, que me ensinou a mergulhar do alto da comporta do Jardim de Allah quando o mar ‘subia’. Muitas lembranças felizes e preciosas de minha infância. Continuo na próxima …

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