Vemos na nossa imagem de hoje a agência central do BEG ( Banco do Estado da Guanabara ) no novíssimo prédio  projetado pelo arquiteto Henrique Mindlin.
O BEG era um dos melhores indicadores do que era o Estado da Guanabara e sua política de crescimento administrativo em relação as pretéritas administrações dessa cidade.
Sucessor do pequenino Banco da Cidade do Rio de Janeiro, conhecido por ser um belo cabide de empregos e que possuía só sete agências, também sequer figurando entre os maiores bancos do país, o BEG foi resultado de uma política agressiva, de uma cidade estado que queria ser independente financeiramente.
O seu criador o Governador Carlos Lacerda, fez uma verdadeira revolução do pequeno banco, não medindo esforços políticos para o seu crescimento. Primeiro conseguindo com a SUMOC licenças para a abertura de mais 30 agências,  depois, o término do pagamento em cash nas repartições públicas, obrigando todo o dinheiro da folha a passar pelo banco, a criação do cheque verde, o primeiro cheque especial do país; uma revolução, a obrigatoriedade dos fornecedores e licitantes do EG terem conta no banco e além disso a  abertura do capital, com a venda de ações com incentivos ao funcionalismo público para adquirirem os títulos como o 14 salário e dividendos.
 Além disso, o lobie da GB provocou a aprovação de um projeto de lei que por vários anos tramitava no Congresso; que permitia que os depósitos judiciais fossem depositados não só no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica, mas também nos bancos estaduais.
Com todas essas medidas o novo BEG teve um crescimento monstruoso em pleno anos 60.  Do capital de CR$100,00 milhões do Banco da Cidade o BEG conseguiu o aporte de CR$7.8 bilhões, um acréscimo de 7.000%. O número de acionistas individuais teve um implemento de 65% e por fim os depósitos aumentaram 34 vezes, isso tudo de 1960 até 1965.
Além dos números meramente financeiros o BEG passou a ser um dos maiores compradores de obras de arte do Brasil, certamente prevendo a enorme valorização que esse mercado teria no Brasil a partir dos anos 70, construindo um magnífico acervo de esculturas, telas, murais etc…
Isso se refletia na nova sede, num moderníssimo prédio, decorado com o que de melhor existia em móveis modernos no país, como mobiliário da OCA, Tenreiro, Bom Desenho etc… Nossa imagem mostra um pouco do refinamento do prédio, na parte mais visível do prédio, a disputada agência central.
Bancadas de jacarandá, painéis de couro, o mural modernista, possivelmente de Tenreiro, a transparência do banco para a rua. Fora isso o BEG era dotado de um moderníssimo sistema de processamento de dados, o mais moderno do país, um sistema de comunicação privativa, algo só comparável no exterior, e a sede fosse,  no início dos anos 70, talvez o prédio mais sofisticado em equipamentos da cidade.
Mas a fusão deu o primeiro golpe na jóia da coroa criada por Lacerda e acalantada por Negrão, que era gerênciar e financiar um estado falido e em total caos administrativo, onde não havia a mínima vontade política para reverter a situação oligárquica que já vinha de séculos. O BEG, turbado pela  fusão, vira BANERJ e começa a sua decadência, agravada em muito com a posse em 1982 da mesma pessoa que colocou nossa cidade numa espiral de destruição.
A má gerência, o desvio, as operações econômicas equivocadas, o financiamento do socialismo moreno a título perdido levaram o banco a exaustão, de onde não mais se recuperou.  O BANERJ era achincalhado pelo público, as agências lotadas e ineficientes e o seu sistema de processamento parado nos anos 70 eram a imagem do que tinha se transformado a Guanabara, num zumbi de tempos melhores. O banco foi vendido a um banco paulista nos anos 90, numa operação que até hoje levanta suspeitas. E todo o patrimônio artístico e imobiliário foi sendo vandalizado nos governos dos “inhos”.
O prédio do BEG, que hoje concentra várias secretarias é uma triste pintura do que se transformou nossa cidade, decadente, envolto por desordem, com centenas de barnabés com indicação política enrolando nas suas portas, enfim uma tristeza.