Rua Soares da Costa – anos 60


Hoje vemos a Rua Soares da Costa nos anos 60,  ainda mais como um resto de vila como uma rua propriamente dita.
Afetada desde os anos 30, quando a Av. Trapicheiros foi imaginada como forma de regularizar o rio, famoso pelas inundações na Tijuca, Praça da Bandeira de S. Cristóvão e criar uma grande via de penetração ao bairro, paralela a Av. Conde de Bonfim, começando praticamente da Muda e chegando nas fraldas de S. Cristóvão na Praça da Bandeira, via esta que apesar de quase 100 anos passados de seu projeto inicial tem apenas trechos abertos, como a Av. Gabriela Prado Maia Ribeiro, Praça Gustavo Capanema, Av Heitor Beltrão, Rua Silva Ramos e Largo Frei Cassiano Villarosa, a rua nunca conseguiu ser aberta como se imaginava.
Nesse período de tempo a Soares da Costa passou como via esquecida mesmo perto da Praça Saenz Penna ; afetada elas inundações do Trapicheiros, com o PA completamente irregular, pois havia construções antigas praticamente no meio da caixa da rua, além de não ter saída, situação que seria um pouco aliviada com nos anos 50 da construção de alguns prédios que deram a ela uma saída direta para a Conde de Bonfim acompanhando o rio, mas segundo as plantas da prefeitura nada muito alentador, pois constava como via provisória.
O mais interessante, que que mesmo com um trecho não aberto, e com uma via projetada, os prédios foram sendo construídos respeitando os PAs que eram e são mero exercício de futurologia urbanística, como o que vemos no fundo da foto onde a nova construção está além do portão, que dava entrada a uma propriedade privada, pois havia um projeto da rua chegar em outro projeto, o do prolongamento da Rua Bom Pastor. Inclusive ainda hoje há um vestígio dessa ocupação, o antigo poste de entrada de luz para esse prédio “além muros” está no meio da calçada, perdido e desativado até hoje.
Essa espera e indecisão nos mostrava uma rua precária, mesmo na parte teoricamente aberta, a iluminação pública por um prato “econolite” tipo de luminária (mesmo usando uma lâmpada de 400 ou 500W muito maior que a capacidade de proteção do aparelho oferecia) usado em estradas e subúrbios do então DF mostra bem isso, enquanto no poucos metros abaixo tínhamos a “Cinelândia da Zona Norte” iluminada por postes de ferro fundido desde o início do séc. XX, mesmo antes do ajardinamento da praça.
Tal trecho, como prolongamento da Bom Pastor, que ganhou o nome de Dr. Renato Rocco só foram abertos precariamente nos anos 70, novamente em plena década de 80 as plantas da prefeitura indicavam que eram vias “sem melhoramentos” entendendo-se por isso sem arborização, galerias pluviais, iluminação pública e certamente na terra ou cimento despejado por moradores.
Isso explica a verdadeira colcha de retalhos e terrenos dessas ruas todas, onde temos prédios virados para o nada, ruas passando por empenas cegas e muros de imóveis orientados para outras vias e até mesmo desconexão viária.

12 comentários em “Rua Soares da Costa – anos 60”

  1. Vamos por partes: A ligação entre a Bom Pastor e a Rua Moura Brito foi aberta em 1969 e disso eu me lembro bem. A Soares da Costa, rua que aparece na foto, cuja saída fica na ligação citada anteriormente, só aconteceu depois de uma ação judicial devido ao fato de o dono do terreno ao fundo, um coronel do Exército, fechar a via. A rua Gabriela Prado Maia, que foi aberta no final do Século XX, tem o seu leito passando em frente ao prédio em primeiro plano, desemboca na rua General Roca. A vila citada no post é paralela à rua e fica atrás do muro que existe. Essa região fica atrás do Shopping 45, local onde se erguia o Cinema Olinda. Esse entorno do local da foto é um local frequentado por maconheiros, flanelinhas, e “motoboys” que servem aos moradores do Morro do Salgueiro. A maioria dos frequentadores do lugar é composta de “caucasianos”….

  2. Largo Frei Cassiano Vilarosa é o nome da “praça”, ou seja lá o que for essa coisa em formato de gota que tem aqui. O nome da rua é Gonçalves Crespo.

    1. Acho que o comentarista se equivocou. A rua Gonçalves Crespo começa na rua Afonso Pena e termina na Mariz e Barros a 50 metros da Praça da Bandeira. É a rua “de trás do América. A rua Silva Ramos começa na Professor Gabizo e termina na Afonso Pena e é a ligação entre Heitor Beltrão (a velha) e Gonçalves Crespo. A (nova) Heitor Beltrão foi aberta em 1982 e faz a ligação entre Dr. Sattamini e a rua Conde de Bonfim na altura da Praça S.Peña na prática, embora “no papel” ela termine de forma diferente e que seria complicado explicar aqui. A Heitor Beltrão “velha” existe desde os anos 20 e sempre terminou na São Francisco Xavier. Ainda que a “nova” Heitor Beltrão seja “em tese” continuação da “velha”, na prática isso seria impossível, já que é a natural continuação da Dr. Sattamini. Quem não conhece bem aquela região pode realmente se confundir com tantas mudanças, demolições, ruas novas, etc.

  3. Umas dúvidas, como morador recente da região (desde 2010) e entusiasta de urbanismo e história urbana, se alguém souber responder:
    1. A Heitor Beltrão “nova” foi aberta em 1982. O que havia ali então? Entendo que seja conseqüência da passagem do metrô, mas fico curioso com a configuração do local antes da abertura dessa (hoje importante) via.
    2. O que seria esse mencionado projeto da “Av. Trapicheiros”?

    1. Celso Araújo, no local onde existe atualmente a via que citei como a “Heitor Beltrão Nova” e que foi aberta em 1982, havia apenas um imenso casario e até então o rio trapicheiro canalizado se projetava até a rua Alzira Brandão, tendo em sua margem esquerda uma vila de casas cuja entrada era na rua São Francisco Xavier, e na sua margem direita uma pequena rua que tinha início na São Francisco Xavier e em curva, terminava na Alzira Brandão. A vila de casas que mencionei ocupava o espaço onde acontece aos Domingos uma feira de cães e passarinhos. O rio corria na atual pista de rolamento, e a pequena rua ficava mais ou menos onde existe o ponto de ônibus. A entrada da estação do metrô ocupa parte do antigo pátio da igreja. A partir da Alzira Brandão até a rua Pareto e da rua Pareto até a Conde de Bonfim, só havia casas. A rua Carmela Dutra não tinha saída, a Visconde de Figueiredo e a Conselheiro Zenha foram cortadas pela “nova Heitor Beltrão”, e a rua Goethe, que começava na Almirante Cochrane e não tinha saída, praticamente desapareceu, restando apenas duas ou três casas. Alem disso, desapareceram também uma vila centenária entre Conde de Bonfim e Almirante Cochrane e paralela à vila e com a mesma extensão, loja de departamentos Mesbla. Antes disso, em 1977, foi demolido o enorme prédio dos Correios, que ocupava o espaço compreendido entre a esquina de Almirante Cochrane, Pareto, e Conde de Bonfim, onde existe atualmente a UPA, bem como o Mercado São Lucas, que ficava colado. Como se vê, foi um enorme “Bota abaixo”…

      1. Celso Araújo, eu tenho uma foto de parte dessa região que eu descrevi, principalmente de onde existe atualmente a “Nova Heitor Beltrão”. Se quiser posso envia-la.

  4. André Decourt, chegou-me às mãos uma foto de baixa altitude dessa região da Praça Saens Peña e que abrange todos os locais comentados nessa postagem, datada de 1948 e que é inédita para mim e certamente vai esclarecer muitos pontos obscuros. Aparecem a Major Ávila antes da abertura do prolongamento da Santo Afonso, a região do Cinema Olinda, e principalmente a da rua Soares da Costa em toda a sua extensão. A foto é sensacional. Se quiser publica-la “neste sítio”, posso enviar.

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