Cinquentenário do Ed. Av. Central

No próximo dia 22 o Ed. Avenida Central estará completando 50 anos, praticamente a mesma idade que seu antecessor no terreno completou antes de ser demolido pelas picaretas avassaladoras e cruéis dos anos 50. E fica aqui a pergunta: Daqui a 4 anos, aos 54 anos de idade, o edifício mereceria ter o mesmo destino do Hotel Avenida ?
Construído sobre os riscos de um projeto do arquiteto Henrique Midlin, um dos modernistas mais adeptos da corrente internacional do modernismo, autor de outros grandes e famosos edifícios na cidade, construídos pela mesma época, uns muitos felizes como o BEG e outros que por vários motivos beiram a mediocridade arquitetônica como o Super Shopping Center de Copacabana ( http://www.rioquepassou.com.br/2006/02/07/vendendo-o-shopping-da-rua-siqueira-campos-1961/ ), o Ed. Av. Central sintetizava de pleno o Brasil moderno que se queria construir naquele final dos anos 50.
O prédio juntou o que mais moderno poderia existir em um edifício comercial na época, se igualando em sofisticação com construções de igual monta nos EUA e na Europa. Realizado em estrutura metálica encapsulada por um revestimento misto de amianto e concreto armado contra o fogo e envolto com modernos vidros térmicos esverdeados da Ray-Ban o prédio abrigava no seu interior o know how mais sofisticado existente, algo nunca visto no Brasil e possivelmente na América Latina na sua época.
Elevadores com controle processado (transistorizados) de altíssima capacidade carga e ainda por cima que por voz indicavam seu movimento e o pavimento de parada ( Atlas-Vilares Mark IV), sistema de combate de incêndio nas áreas comuns por Splikers pressurizados, forro falso de placas metálicas nas áreas comuns e shafts de serviço para fácil manutenção das instalações, ar-condicionado central por água gelada, com ventiladores independentes em cada unidade, heliponto, galeria comercial em três níveis mais sub-solo interligadas em fosso comum por escadas rolantes, sub-estação de energia independente do sistema de média tensão da via, central telefônica, cinema, jardim suspenso etc..
Por pelo menos 30 anos o prédio abrigou o de melhor, na sua torre e nas suas galerias, mesmo com lançamento de prédios mais novos como o De-Paoli, o Cândido Mendes  e até mesmo o RB-1 ele manteve sua majestade, embora já nesta época, início dos anos 90 começava a mostrar uma leve decadência, mais controlada, seria mais como uma pátina do tempo se sua administração não começasse a jogar contra.
Desde o final dos anos 80 havia um movimento de alguns comerciantes e da administração do prédio que queria a todo custo transformar a galeria em um “Shopping” o sinal mais comum foi a subversão do padrão cromático das colunas em inox da base do prédio e a instalação de um letreiro com letras amarelas escrito “Shopping Av. Central”.  Nisso um conjunto de lojas na ala direita da galeria foi unida se instalado uma grande loja, chamada Big Home, de início dentro do padrão do prédio, vendendo importados e até mesmo bebidas e produtos alimentícios de primeira qualidade. Mas algo de errado aconteceu e ela quebrou deixando ali um grande espaço vazio, que foi rapidamente ocupado por um centro de informática.
Rapidamente ele se sub-dividiu e multiplicou pelos 3 andares daquela ala e posteriormente por todos os andares da galeria. Lojas tradicionais foram engolidas e os espaço cada vez mais sub-dividido em centenas de boxes que comercializam material suspeito fiscalmente.
Nisso o prédio foi cercado por camelôs de software pirata em seus agressivos pregões, não bastante a já proclamada decadência urbana do Centro e a queda de qualidade geral é mais do que visível. Na torre várias salas ou emparedaram as janelas por dentro ou colaram películas escurecedoras, o resultado é que não há mais unidade cromática. No primeiro piso os mármores estão amarelados, as centenas de lojas atraem um público em qua nada ajuda as outras lojas, que simplesmente sumiram no segundo e terceiro andares, apenas a ala direita do prédio no primero piso mantém o tipo de comércio das décadas passadas. Enfim o prédio chega aos 50 anos com um forte sinal de alerta aceso, já entrando no vermelho. O que nos remete a nossa pergunta inicial…

18 comentários em “Cinquentenário do Ed. Av. Central”

  1. É curioso todo este desgaste do prédio contrastando com alguns conjuntos de salas verdadeiramente de luxo.
    Recentemente fui a um oftalmologista neste prédio e fiquei impressionado.

    1. É que a decadência ainda não é total, e há salas instaladas há muitos anos. Possivelmente esse consultório deve ser a clínica fundada pelo Pedro Moacyr.

  2. Realmente é um prédio de contrastes, Oscar Niemeyer teve escritório na sala 707 nos idos da década de 60.

  3. Se fosse implodido eu não verteria uma lágrima sequer. O mesmo digo em relação a todos os prédios modernos, projetados pelo Pentium V e construídos pela Redimix, ou Concretex, ou outra qualquer. Estruturas verticais, feitos de placas concreto e vidro, autênticos paralelepípedos em pé, sem charme, sem arte, sem originalidade, sem porcaria nenhuma. Se houvesse uma bomba de nêutrons às avessas (que destruísse as construções e não matasse as pessoas), eu me candidataria a detoná-las em todos eles.

  4. Concordo com o Helio . Já descutimos aqui sobre esses predios que tentaram e tentam imitar os americanos com edificações
    com vidro e aço . O Av. Central foi construido de maneira mixta
    concreto e aço. Não é nunca foi e nunca será um predio para
    a cidade do Rio que tem clima tropical, úmido não tendo janelas
    e mem persianas externas pra quebrar a luz e moderar a circulação de ar. È um predio dispendioso e caro para se manter
    tal qual os shoppings , verdadeiros caixotes.

    1. Isso é infestação de botz… parece que descobriram o site e fizeram comentários automáticos inclusive nas postagens anteriores, como tá ali mostrado em “comentários recentes”. Uma M.
      Mesmo obrigando a cadastrar e colocando senha, esses botz consegue realizar cadastramento… sou obrigado a deletar vários por dia no fórum que administro. Isso é que dá o André Decourt e o “foi um RIO que passou” fazer sucesso de público no Google… 🙂

  5. Hoje, na coluna “Gente Boa” do Globo, tem um relato sobre o sebo que havia no segundo piso, onde, por sinal, fui varias vezes, e o seu dono ja falecido (segundo a nota).
    Pelo pioneirismo tecnologico do predio, ate faz sentido a existencia de lojas de informatica, mas poderiam nao ter exagerado…
    PS – Alem do sebo, onde encontrei ate o Eduardo Bueno uma vez, havia o Cine Hora.

  6. O mais triste é saber que construiram este tijolão no lugar do Hotel Avenida, este sim um prédio charmoso e com a cara do Rio

  7. O que acontece com o Av. Central e as calçadas ao seu redor é um dos exemplos da transformação socioeconômica que o mundo vive. Antigamente, as pessoas mais pobres eram analfabetas, não tinham acesso a comunicação nem a produtos de consumo. Não tinham contato com os ambientes frequentados pela classe média e pelas “elites”. Hoje em dia, o poder aquisitivo dessas classes cresceu, viraram consumidores de celulares, computadores e demais eletrônicos. Só que isso aconteceu sem que adiquirissem senso estético ou bagagem cultural, seu comportamento é baseado na sobrevivência, na necessidade de “se virar” a qualquer custo, sem se preocupar com legislação, organização ou beleza (pelo contrário).
    Não é um fenômeno exclusivamente brasileiro, o mesmo ocorre nos mercados emergentes do mundo todo, inclusive já li que os nossos “camelódromos de informática” são muito parecidos com os existentes na China.

  8. O que acontece com o Av. Central e as calçadas ao seu redor é um dos exemplos da transformação socioeconômica que o mundo vive. Antigamente, as pessoas mais pobres eram analfabetas, não tinham acesso a comunicação nem a produtos de consumo. Não tinham contato com os ambientes frequentados pela classe média e pelas “elites”, que desta forma eram lugares “sofisticados” e “limpos”. Hoje em dia, o poder aquisitivo dessas classes cresceu, viraram consumidores de celulares, computadores e demais eletrônicos. Só que isso aconteceu sem que adiquirissem senso estético ou bagagem cultural, seu comportamento é baseado na sobrevivência, na necessidade de “se virar” a qualquer custo, sem se preocupar com legislação, organização, beleza ou limpeza (pelo contrário).
    Não é um fenômeno exclusivamente brasileiro, o mesmo ocorre nos mercados emergentes do mundo todo, inclusive já li que os nossos “camelódromos de informática” são muito parecidos com os existentes na China.

  9. Olá!
    Sou produtora de um documentário de longa-metragem que está sendo produzido em Brasília, no qual acabamos utilizando a foto desta postagem
    Gostaríamos de saber se poderiam nos ajudar com a origem desta foto, para que possamos negociar os direitos de uso com seu autor ou detentor dos direitos.
    Desde já, agradeço muito a atenção

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