Estátua do Pequeno Jornaleiro

Por motivos de obras nosso arquivo inédito, bem como os livros e demais materiais de consulta estão indisponíveis, portando faremos um repeteco de posts que foram realizados no fotolog desde o início do “foi um RIO que passou”, quando possível com os textos revisados e enriquecidos. O de hoje, publicado em Abril de 2005.

 

 Vemos a estátua em seu lugar original, na confluência das ruas Miguel Couto, Ouvidor e Av. Rio Branco.
O que muita gente não sabe que a estátua do Pequeno Jornaleiro é um dos maiores símbolos da administração Pedro Ernesto em nossa cidade, pois com sua cassação por Vargas, acusado de ter colaborado com a Intentona, todos os símbolos de sua administração, bem como políticas educacionais e de saúde foram banidas, o busto do antigo prefeito doado por funcionários da PDF desaparecido dentre outros “dispositivos” típicos de um regime totalitário.
A história da estátua começa com a publicação de uma notícia pelo jornal A Noite no dia 23 de Setembro de 1931 sobre Heitor dos Prazeres, onde o compositor e pintor falava sobre sua infância miserável no “Mangue” do Estácio, e perguntado sobre qual samba queria ver publicado na reportagem escolheu o triste “Jornaleiro”, a reportagem causou uma comoção inesperada nos leitores, onde as correspondências ao periódico começaram a criar corpo de uma campanha humanitária e filantrópica. Rapidamente o jornal começou uma campanha de fato para a arrecadação de fundos para os menores desamparados da cidade.
O prefeito Pedro Ernesto fez uma doação de 10 contos de réis para o fundo, o apoio oficial foi como uma grande caixa de ressonância na população e a campanha começou a atingir todas as esferas da sociedade.
Aderindo a campanha, o artista plástico Anísio Mota, inspirado pela triste letra da composição de Heitor dos Prazeres fez a escultura do menino maltrapilho, com o chapéu de abas rotas caindo sobre sua face triste de onde uma boca escancarada faz o pregão das publicações que vende pela cidade.
A estátua foi inaugurada em primeiro de junho de 1933, com a presença do prefeito e alunos da rede pública. Que contava com um programa revolucionário de educação laica, que estava deixando a igreja e setores conservadores literalmente em pé de guerra com o prefeito. Contava com a seguinte placa “ A noite, à cidade no governo do Dr. Pedro Ernesto”, a “casa do garoto” como seria chamada já tinha terreno e projeto, mas com o recrudescimento da política de posteriormente da cassação do prefeito não foi construída.
Em 1940 Vargas inaugura a “casa do Pequeno Jornaleiro” onde Vargas buscava preencher o lugar de Pedro Ernesto como benfeitor dos pobres, na inauguração o cardeal D. Sebastião Leme conclamou ao meninos: terem como espelho da verdadeira mãe D. Darcy Vargas, mais estado novo impossível.
A estátua hoje foi removida do seu lugar original e escondida na rua Sete de Setembro no quarteirão entre a Av. Rio Branco e Gonçalves Dias.
Agradeço pelas informações históricas a Carlos Eduardo Sarmento em seu livro O Rio de Janeiro na Era Pedro Ernesto.
foto: National Geographic

10 comentários em “Estátua do Pequeno Jornaleiro”

  1. Quais seriam os símbolos da administração Pedro Ernesto banidos por Vargas?
    O Hospital Pedro Ernesto não foi construído nessa época? Teve outro nome?
    A frase na placa do monumento diz “A Noite à cidade”, isto é, o jornal A Noite ofereceu o monumento à cidade.
    A estátua foi parar na Sete de Setembro, se não me engano nos anos 90, com a reforma da Av. Rio Branco e das ruas adjacentes que ganharam as calçadas altas e paralelepípedos. O espaço, remanescente de um PA jamais executado da Sete de Setembro, ganhou o nome de Largo do Pequeno Jornaleiro.

    1. O maior símbolo era o programa educacional das escolas municipais e o bastião da autonomia fiscal e administrativa do DF.
      O Hospital Pedro Ernesto tinha outro nome, acho que só o ganhou já nos anos 50

  2. Sr. André,
    Em 11/11/08 esta mesma foto foi apresentada no site Saudades do Rio – AD (Administrador Desconhecido); será um site também seu? ou é apenas uma coincidência?
    Pela indisculpável omissão dos outros homens, que além de mim, lá comentaram a foto, transcrevo aqui meu comentário lá feito:

    Interessante! Parece que ninguém, dos homens pelo menos, notou a mulher no primeiro plano da foto!
    Um belo exemplar de “presença”, charme e elegância.
    Infelizmente nesse ano eu estava nascendo.
    Muito difícil encontrar mulher, hoje, no Rio, com esse porte, em plena Av. Rio Branco; particularmente de vestido.Bons tempos que não vivi!
    SDS, Vitor

    1. Vítor, você tem olho clínico.
      E garanto que ela não tinha nenhuma tatuagem. Era, simplesmente, uma MULHER! Linda, graciosa e feminina.
      Naquele tempo as mulheres não precisaram de academia, piercing… e o bumbum era “segredo de Estado”. Só os felizardos podiam ver… sem merecessem tal privilégio.

  3. Muito bom, porém certa feita, não me recordo, são tantos anos, li em algum lugar e/ou me foi contado que o pequeno jornaleiro era menor pobre de família humilde e que vendia jornais todos os dias e como não tinha luz em casa, permanecia na rua e sentava-se abaixo de um poste de luz para estudar, era alto – ditada. Já procurei fazer pesquisa neste sentido, mas não fui bem sucedido, porém possuo esta informação quando tinha meus 18 anos e hoje tenho 57 e tendo certificar desta informação. Mas de qualquer forma, os relatos apresentados fazem com que viajamos no tempo a imaginar o grande feiro desta personalidade.

  4. A Estátua do Pequeno Jornaleiro também foi retirada da Sete de Sembro, pelo então prefeito Eduardo Paz, com as obras de reurbanização da Av. Rio Branco. Sugiro que retome seu lugar de origem, na confluência das Ruas Miguel Couto, Av. Rio Branco e Rua do Ouvidor, visto que é necessário resgatar as obras, a memória histórica da nossa cidade, já que está num momento de valorização do turismo no Rio de Janeiro.

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