Cidade Nova – Final dos anos 50


Nossa foto de hoje mostra um naco da cidade que simplesmente desapareceu, ruas sumiram e toda uma infra-estrutura estabelecida foi simplesmente descartada.
Tudo o que vemos no canto direito da imagem da Centra para baixo simplesmente desapareceu, substituído, por nada, oficinas do metrô e um trevo rodoviário da Linha Lilás.
A rua que vemos em primeiro plano era a João Caetano que partia do Mangue, fazia um cotovelo junto a linha do trem e iria terminar junto a grande passarela da Marques de Sapucaí. ( que parece visto desse ângulo um viaduto nunca terminado) a via paralela a ela era a Gal. Pedra que ia da esquina da Rua Pedro Rodrigues e terminava junto a Rua de Santana no seu quarteirão também desaparecido.
Um pequeno bairro existia entre a linha do trem e a velha Av. do Mangue, parte da velha Praça XI e parte da Cidade Nova, ruas Pedro Rodrigues, Dr. Ezequiel, Luis Pinto, Carmo Neto ( dois quarteirões desaparecidos desse lado do Mangue), Cmt. Muriti ( retalhada nos dois trechos, possivelmente sendo a rua na frente do prédio da Oi um resto dela, renomeado de Pereira Franco, e outro  de Haroldo de Andrade, da velha via só restou um quarteirão ao lado do Cervejão), um trecho da Marques de Sapucaí e dos quarteirões desparecidos da Marquês de Pombal e Santana.
Toda essa área, ocupada por descendentes de escravos, imigrantes italianos, espanhóis e portugueses e rebarbas da comunidade judaíca da Praça XI era desagradável ao ideal sectário do Estado Novo e já nos anos 40 a região foi declarada como de interesse público para a construção da Avenida-Cidade, um absurdo estado novista, que só teve saído do papel os prédios do Balança Mais Não Cai e do Diário Carioca/Última Hora (demolido junto com esse lado todo do bairro) e acabou se congelando no tempo, como fotos tiradas pelo meu pai, no início do anos 70 comprovaram.
Mas anos se passaram, e ameaçada de demolição ela foi sofrendo um abandono gradativo até chegar a indigência urbana por volta de 1975 onde a demolição de tudo já estava sacramentada. Belíssimos exemplos do colonial carioca padeceram em ruínas no meio de terrenos baldios, invasões e e fachadas calcinadas. Mas todo o urbanismo estava lá, urbanismo esse que foi sepultado pelo centro de manutenção do metrô, que poderia ter sido executado em outro ponto, como na região de triagem, na antiga Cidade Light, na época ocupada pela enorme garagem da CTC, eliminando-se uma importante área de expansão negocial da cidade, mesmo destino do outro lado da Cidade Nova, demolido agressivamente para só 40 anos após o tecido urbano retalhado estar se recuperando, mas ainda cheio de modernos prédios desocupados, como é o caso do Cervejão, fruto do oba-oba olímpico e dos “milagres” de Lula, Dudu e Cabral.
Um dos poucos elementos que ainda sobrevive é a passarela de pedestres da rua Carmo Neto, no seu trecho  desconectado, já junto a Rua Nabuco de Freitas, mais para Santo Cristo do que Cidade Nova, que mesmo com parte de sua escada destruída parece aguardar a travessia para o outro lado da linha do trem.
Recomendo fortemente  a todos clicar na imagem, pois a mesma é de ótima definição, bem como em tudo que está em negrito no texto, pois são links para posts passados e para o street view.

7 comentários em “Cidade Nova – Final dos anos 50”

  1. Por várias vezes comentei sobre esse “bota abaixo” no SDR. Se somadas, as demolições ocorridas dos dois lados da Presidente Vargas são comparáveis às demolições de Pereira Passos. Na General Pedra e a Joao Caetano a quantidade de prostibulos era “quase comparável” ao “outro lado”, embora muitas famílias “de bem” residissem ali, e a quantidade de “casas de cômodos” era considerável. Quando pequeno, fui levado por minha mãe mais de uma vez à uma rezadeira na General Pedra. Ali também existia uma oficina na qual meu pai levava o seu “Gordini”. Eram “outros tempos”.

  2. Em minha humilde opinião o problema foi algo que sempre aconteceu na História dessa urbe. Além de corrupção a torto e a direita, e da falta de interesse dos Governantes e do próprio povo para transformar isso aqui em uma cidade de verdade e em um país sério, houve o que o André muito bem citou com a falta de uso da própria área.
    Sempre disse de que a região Central deveria ter se expandido para outras áreas como a Zona Norte e não ter sido relegado a um espaço risível como o que é o Centro da Cidade.
    Mas é aquela velha estória: Herança portuguesa e católica, da casa com quintal, do chinelinho de dedo, do coitadismo, do rouba mais faz, deu no que deu em relação ao RJ e a terra Brasilis.

  3. Wolfgang, você está certíssimo. Não sou uma pessoa das mais simpáticas nesses blogs porque “não tenho papas na língua”, e costumo expressar meus pontos de vista, ainda que desagradem à alguns como um “fake de procurador aposentado e seu acólito “filhote de PSOL”, mas essa decadência de valores morais, republicanos, e até mesmo urbanos, precisa ser divulgada e suas razões mostradas, mesmo que o discurso possa parecer “duro e contundente” mas real. A pusilanimidade da maioria da população se deve à “afasia” na maioria ou mesmo de “atrofia cognitiva”. Daí a existência de “funkeiros, paradas gay, Pablo Vitar, Amarildos, e muitos absurdos mais , capazes de fazer como que urubus voando baixo consigam “cuspir” nos que voam por cima. O discurso é repetido diariamente e sempre o será enquanto os verdadeiros valores e ideais republicanos não forem resgatados.

  4. Boa postagem com informações preciosas.Gostei do Cervejão e da inserção de outras postagens através do “negrito”.Nos comentários gostei do Gordini,”casa de cômodos”,herança portuguesa e católica e “filhote de Psol”.

  5. Boa tarde. Esta imagem é sensacional.
    Por acaso teria a fonte de onde ela está hospedada?
    Moro no Santo Cristo e pesquiso sobre o bairro.
    Grato.

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