Inauguração do Busto de Edmundo Bittencourt e ativação da iluminação pública na praça do Bairro Peixoto



Nossas fotos de hoje, do dia 29 de junho de 1951 mostram o descerramento dos panos que cobriam o busto de Edmundo Bittencourt, fundador do O Correio da Manhã na praça que leva seu nome, no Bairro Peixoto em Copacabana.
O busto de autoria de Leão Veloso foi instalado em comemoração aos 50 anos do hoje desaparecido importante periódico, bem como a eternização da lembrança do grande homem de imprensa. Patrocinado por alguns de seus amigos, entre eles Horácio Lafer (ministro da fazenda), Herbert Moses (presidente da ABI), Alberto Porto da Silveira e Chermont de Brito foi inaugurado em uma pequena cerimônia que apesar do tamanho, agrupava um impensável, nos dias hoje, rol de políticos, intelectuais, autoridades e homens de negócios, misturados a crianças, babás e operários da construção civil numa pracinha de bairro numa sexta-feira por volta de 11 da manhã.
Pois no grupo estavam o governador de MG, Juscelino Kubitschek o da Bahia Regis Pacheco, Simões Filho, ministro da Educação, Negrão de Lima, então ministro da Justiça, Affonso Reidy urbanista, os senadores Mozart Lago e Francisco Galotti, o presidente do Grupo Peixoto de Castro, o Brigadeiro Eduardo Gomes e vários outros tenentistas do 5 de Julho, um grande plantel de imortais da Academia Brasileira de Letras, diretores de departamentos da prefeitura do DF, o próprio prefeito Carlos Vital, o acadêmico Cândido Mendes, o poeta Olegário Mariano, ministros do STF etc…… não vemos nenhum esquema de segurança.
O monumento ainda no seu local original ficava praticamente no centro da praça, com a frente virada como hoje para a rua Maestro Francisco Braga, que tinha sua primeira urbanização, que combinava  elementos originais da antiga chácara de Felizberto Peixoto como as árvores frutíferas e o renque de bambus com novos elementos como os canteiros ajardinados e gramados de forma ameboide, circundados de bancos, num estilo que ainda sobrevive em algumas praças da cidade desenhadas por Burle Marx no início de sua carreira.
Os discursos, alguns emocionados lembravam do grande tycoon da imprensa brasileira, pela determinação na busca pela justiça mesmo nos momentos mais conturbados da história, que lhes custaram diversas ameaças inclusive à tranquilidade de seu lar. Publicou a serviço do povo, povo este que conviveria com seu busto, para sempre em praça pública como falou Herbert Moses. Horácio Lafer fez votos a curiosidade das crianças que num futuro perguntassem a seus pais, quem foi o homem na estátua e  que sua mensagem passasse através das gerações.
Paulo Bittencourt, filho e diretor à época do Correio, falou em seu breve discurso que seu pai era um apaixonado por Copacabana onde fixou residência ainda no precário areal, e relembrava que naquele mesmo dia de S. Pedro, o homenageado há 45 anos atrás inaugurava sua residência definitiva no bairro, que gostava do mar, dos pescadores, das crianças em correria pela praia e pelas ruas de terra, e que a estátua felizmente estava no meio delas numa tocante coincidência e que a cerimônia, que tinha tudo para ser formal e rígida pela notável presença de tão grandes nomes do cenário nacional, transmutou-se num encontro de amigos, informal e fraterno.
Na frente da estátua, palavras, que foram arrancadas em poucos anos, mas que no Brasil de hoje em época turbulenta, onde a mediocridade dos extremos do espectro político ameaça nossa democracia faz muito sentido;

 

A Edmundo Bittencourt – Paladino de Todas as Liberdades

 
No mesmo dia a Light ligava o sistema de iluminação da praça, composto por postes americanos, com globos GE Novalux do modelo 109 que tinha a capacidade para lâmpadas incandescentes de até 500 W, mas que possivelmente nessa aplicação não usava mais de 350W, esse sistema funcionou por praticamente 18 anos, sendo substituído em 1969, quando a praça sofreu uma de suas grandes reformas, pelas Peterco apelidadas de “chapéu chinês” que frágeis não duraram nem 11 anos, substituídas pelos postes de 12 metros de altura do sistema Philips, que com luminárias trocadas nos anos 90 continua até hoje, inadequados pela sua altura, acima da copa das árvores e tendo que ser ajudados por várias gambiarras na forma de refletores e postes baixos espalhados sem projeto.
 
Ps. por uma falha minha no agendamento dos post, esse será o único dessa semana, dia 14 voltamos ao normal com posts as terças e sextas.

6 comentários em “Inauguração do Busto de Edmundo Bittencourt e ativação da iluminação pública na praça do Bairro Peixoto”

  1. Por incrível que pareça, confesso que o Bairro Peixoto normalmente fica “fora da minha área, mas não a ponto de ficar aguardando comentários alheios. Quanto aos dizeres “paladino das liberdades”, nada é tão apropriando nesses dias incertos. Não se pode chegar ao extremo de um “McCarthysmo” tupiniquim mas é necessário que sejam contidas certas iniciativas que se originam em “elementos doutrinados” pela esquerda, elementos esses que estão presentes nas escolas, faculdades, no meio artístico, e até em blogs de memória. Seja na zona sul, na zona norte, na baixada, no interior, e até na sofrida e devastada região do BRT…

  2. Realmente eram outros tempos.
    Imaginar isso hoje sem do menor aparato de Segurança, é no mínimo uma piada de mal gosto.
    Sempre digo isso: O Assassinato do Kennedy mudou o mundo por completo. Depois do episódio citado, o mundo nunca mais foi o mesmo.
    Desde então autoridades lembram muito dos antigos faraós, monarcas romanos, dentre outros que se assemelham a divindades que desceram a Terra para ajudar os frágeis e débeis seres humanos.
    André, só uma dúvida. Não era para se ter da presença do Presidente a época em exercício, já que em 1951 a Capital Federal ainda era por aqui?

    1. Pois é, talvez Negrão de Lima estivesse como representante do presidente. Nessa época era o início do segundo mandato de Vargas, que acho que não dava muito apreço ao Edmundo Bittencourt, opositor da República Velha, mas seu jornal, como ele já oposentado da redação fez oposição ao Estado Novo.

  3. Minha pracinha de infância. Tranquila, tinha até cavalos para alugar. A volta “pequena” era em torno da praça e a volta “grande” era subindo pela Decio Vilares e descendo pela Maestro Francisco Braga.
    Anos depois surgiu uma turma por aí, capitaneada por um tal Dr. Decuca, que tomou conta do lugar…

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