Av. Paulo de Frontin, quase esquina com Rua do Bispo e Praça Condessa P. de Frontin anos 50


Vemos a então aristocrática avenida Paulo de Frontin no final dos anos 50. A degradação da via criada pela abertura do Túnel Rebouças é uma daquelas crueldades que o crescimento da cidade, sem um transporte sob trilhos propiciou.
Inicialmente foi o aumento brutal do tráfego que ainda acessava o incompleto túnel, sem ventilação e muitas vezes com apenas uma das faixas de rolamento aberta, mas a destruição definitiva veio com a construção do viaduto Engenheiro Freyssinet que levou sombra eterna à rua e desvalorizou os imóveis, tanto as casas que ficaram na sombra como os prédios de apartamentos, com a passagem de carros na altura do terceiro andar e o barulho e poluição constantes, vinte e quatro horas por dia.
Da rua de urbanismo refinado, com belas pontes, arborização de oitis nas calçadas dos lotes e cássias grandis junto ao Rio Comprido, sobrou pouca coisa. Os oitis teimosamente, mais por força da sua resistência a condições adversas (tanto que foi a árvore preferida de Pereira Passos para arborizar a cidade nas suas reformas) ainda sobrevivem, tentando ultrapassar o viaduto, mas as cássias foram cortadas nos anos 60, e as pontes foram sendo destruídas e tendo suas muretas trocadas por comuns de alvenaria, do antigo gramado junto ao rio a sombra eterna levou cimento.
A foto inclusive mostra a primeira versão dos postes da light de braço reto, uma variação curiosa das luminárias modelo Corvington de Nova Iorque, inseridas nos postes padrão Light, ao invés dos tipo NY, Bishop Crook lá fora ou sua variação carioca de globo a meia altura curiosamente só sei da existência desses postes em mais uma rua, na grande Tijuca, mais precisamente na Rua Pardal Mallet onde as ruínas de um deles ainda teima existir . A Light nessa época usou em algumas ruas o poste de braço ainda mais longo  e o de braço reto, num modelo muito mais simplificado, só voltou em 1940 na reformulação da iluminação de Ipanema e Leblon e implantação da iluminação definitiva na orla da Lagoa.
Hoje vemos o mesmo local, nas sombras
 

13 comentários em “Av. Paulo de Frontin, quase esquina com Rua do Bispo e Praça Condessa P. de Frontin anos 50”

  1. A Paulo de Frontin realmente era um paraíso no trecho junto ao Tunel. Tal como a Rua Bela, o viaduto acabou com tudo. Deve ser um inferno morar por ali. É o progresso …

  2. Por quase 13 anos foi caminho de ida ou volta do trabalho para mim. Vi in loco a situação alarmante da avenida e seus arredores.
    Sei de quem deseja um fim parecido com o da Perimetral para o elevado da região, mas nesse caso o desejo seria inviável.
    Comi algumas vezes no Bob’s da esquina da Rua do Bispo com a avenida.

  3. A antiga “Rua da Luz” deu lugar à Avenida Canal do Rio Comprido”, que mais tarde recebeu o nome de seu idealizador. No início dos anos 60 minha avó ia receber sua pensão no “instituto de Aposentadoria” na rua Joaquim Palhares, quase na esquina da Paulo de Frontin, e me levava com ela. Descíamos do bonde na Praça da Bandeira e seguíamos a pé pela Joaquim Palhares. O local onde existe um conjunto de prédios no início da Avenida era ocupado pela garagem de bondes da Light e se comparado com os dias atuais percebe-se que as demolições destruíram o local. A proximidade com a zona do baixo meretrício dava àquele trecho um “movimento especial”. Minha outra avó morava em 1974 na altura do 368 e da janela do apartamento do terceiro andar eu podia observar as obras do elevado, obras que destruíram a placidez do lugar.

  4. As obras realizadas pelo regime militar foram marcantes paro a Guanabara, mas o elevado Paulo de Frontin foi um “tiro no pé”. Um sistema de Metrô mais abrangente, e uma erradicação de favelas que removesse as favelas do Catumbi e Rio Comprido tornariam aquelas regiões mais seguras e por conseguinte atrativas para investimentos viários. Mas o que falta neste país são leis draconianas nas áreas penal e cível, punindo severamente a corrupção de agentes públicos e políticos. Também a total ausência de qualquer tipo de leniência para com moradores de favelas, usuários de drogas, “cotistas”, e párias em geral, criando um sistema de capacitação para essas pessoas e dando-lhes uma condição digna de acesso ao mercado de trabalho. Mas infelizmente existem pessoas supostamente esclarecidas formadas pelas “esquerdas” incrustadas nas escolas e universidades pregando o contrário, seja por um “desvio ideológico”, seja por “falência cognitiva”.

    1. Há sim um desvio ideológico, que destruiu completamente os princípios de boa convivência na sociedade brasileira criando regras absurdas, o criminoso é tratado pelos direitos humanos e as vítimas trabalhadores não passam de mais um número nas estatísticas, o SUS prioriza cirurgias em mudança de sexo em lugar de cirurgias que podem salvar vidas, o sistema de ensino não pode reprovar cotistas, as ruas da cidade viraram dormitórios, a ocupação irregular permanente do espaço público, um sistema carcerário medieval, o desemprego nos empurrando abismo abaixo, e ainda temos que escutar que a culpa desta situação toda é da LAVA-JATO.

      1. É a ditadura do politicamente correto. Ter que conviver com a pregação nefasta das esquerdas é dura, principalmente quando se percebe que até em blogs de memória aparecem indivíduos doutrinados por professores comunistas comentar sobre o que “pensam que sabem e querer “ditar cátedra”.

  5. Ocorreu algo semelhante no Catumbi com a construção das vias de interligação entre o túnel Catumbi-Laranjeiras e o viaduto S. Sebastião. Boa parte do bairro desapareceu. Não havia como a população local se opor.

  6. A esquina que aparece na foto é a da Barão de Itapagipe e de descida para a Praça da Bandeira. Os prédios da esquina ainda estão lá…

  7. Realmente quando se fala nessa área, não há como não lembrar do desabamento do Elevado em 1971.
    Essa questão de Elevados, sejam de automóveis, trens, ou metrôs, parece de que vira um problema no mundo todo.
    Geralmente o entorno fica abandonado.
    Por outro lado, verdadeiras e boas ideias, o ser humano é capaz de reverter do problema, desde que haja para isso boa vontade.

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