Posto de Salvamento – Sérgio Bernardes

Completando a pequena série dos postos de salvamento na nossa cidade, mostramos o modelo atual, projetado e começado a ser implantado perto do final da nossa linha do tempo. Sendo seu projeto de 1976 e sua implantação na nova orla de Ipanema e Leblon no ano seguinte, mas por causa de uma processo licitatório tumultuado só foram entregues em 11 de novembro de  1978.
Curiosamente os postos foram propostos inicialmente para Copacabana, só sendo construídos 3 em Copacabana em 1980 (entregues só em janeiro de 1981 por causa da falência da construtora ganhadora da concorrência), e mais dois durante os anos 90, faltando ainda o 6, que se julga desnecessário atualmente.

O posto na minha opinião sintetiza totalmente o que o Sérgio foi, arrojado, inquieto e também utilitarista, como se fosse possível embutir essas qualidades dispares dentro de um só arquiteto.
Eles eram uma releitura modernista dos velhos postos déco dos anos 30, muitos serviços um pequeno espaço e uma identificação visual marcante, acho a combinação cromática, e programação visual originais muito interessantes, o pequeno relógio de acrílico laranja fluorescente é tão fantástico que deveria ser vendido pelos seus netos, herdeiros da arquitetura do avô.

A programação era ampla, no topo a área técnica, caixa d’água de bombas, juntamente na fachada com potentes refletores a vapor multi-metálico e um alto-falante.

No meio o deck de observação e atendimento e a sala/abrigo/depósito dos guarda-vidas e o mastro, já no rés do chão a parte de serviço, dois banheiros e um conjunto de chuveirinhos e lava-pés, algo muito civilizado para uma cidade que não é.
 

A combinação cromática, simplificada em relação ao projeto original que previa painéis de aço inox polidos, podia ser vista de longe, mesmo grande parte sendo de concreto envernizado.

 
A proposta era a construção de postos a cada 250 metros, por toda a orla, do Leme ao Leblon, totalizando 32  postos de salvamento ( por isso o número alto na maquete) pois segundo o arquiteto essa faixa de areia entre os postos comportava em média mais de 12 mil pessoas nos dias de verão sendo que o trecho da Rua Montenegro chegava a mais de 21 mil frequentadores. Essa distribuição permitia o perfeito funcionamento da concepção e atendimento aos banhistas, sabemos que não foram realizados no intervalo previsto, mas sim num intervalo 3 vezes maior, contrariando o arquiteto e o corpo de guarda-vidas que auxiliou a distribuição das unidades.
O programa foi tão bem realizado, que até hoje continua sendo implantado só no Rio, como também em outras cidades, embora aqui no Rio muito do charme do projeto tenham sido abafados por pinturas medonhas e o gradeamento, mas como falei não somos uma cidade civilizada.
 
As fotos são todas do escritório  Bernardes Arquitetura

11 comentários em “Posto de Salvamento – Sérgio Bernardes”

  1. Muito bom.
    Os postos de salvamento eram marcos de identificação das praias. Pena que mudaram de lugar e os moradores mais antigos perderam seus referenciais.
    O Serviço de Salvamento é algo que há décadas funciona bem.
    Pena, também, que a cidade não seja civilizada.

  2. Boa tarde.
    Concordo plenamente com você André. Na verdade, eu vou mais além, quando vejo no que a nossa sociedade se transformou nos dias atuais.
    Uma verdadeira Favela-Brasil S.A.
    Veja, por exemplo, no início de seu texto.
    Quanta burocratização temos! Quanto atraso!
    Toda a vez que se fala em obra por aqui, principalmente pública, nunca termina dentro do prazo acordado inicial.
    Enfim… faço de suas palavras as minhas: “Não somos uma cidade civilizada”.

  3. Nasci em 1980 e pra mim com 6, 7 anos era um enorme mistério só haver os postos 2, 3 e 4 em Copacabana, apesar de o meu pai contar que “antigamente tinham todos”. Em Ipanema achava que o 7 não existia, mas um dia qualquer fui adando Arpoador a dentro com minhas primas e lá estava ele escondidinho na Praia do Diabo, tudo tinha essa emoção de descoberta do mundo esse dia. Depois me lembro da inauguração do posto 1 em 1994 com uma orquestra sinfônica tocando. Depois veio o 5 em 1997 e eu achei que o 6 viria. Mas havia algo de errado com esse 5 novo. Ele foi fincado na altura da Sá Ferreira, que durante todo a minha infância era “a última rua transversal do posto 6”. Sempre entendi que o 5 começava na Praça Sara Kubitshchek e meu pai dizia que o antigo 5 era na Miguel Lemos e o antigo 6 na Rainha Elizabeth. Mas se do posto 6 se via agora o 5 tão perto, onde enfiar o novo 6? Não quero bem saber, nem que fosse ali na colônia dos pescadores, pra quem tem isso como obsessão de infância é muito dificil mesmo quase 40 anos depois passar ali e não pensar nesse “não-6” em Copacabana.

  4. Bonitos sim mas pouco funcionais.Em Niterói não há necessidade de postos de salvamento,já que as praias tem águas calmas onde o cidadão pode se banhar com tranquilidade,Não custa dizer que Niterói tem a melhor qualidade de vida do estado…

    1. Com a devida vênia, caro Ucraniano, nossas águas aqui em Niterói, dentro da Baía, são mesmo calmíssimas, no geral. E também são absolutamente imundas e pouco convidativas ao banho. Mas quando o mar sobe fora da Baía, em Icaraí, por exemplo, bate muito quebra-côco, com risco para o banhista desavisado ou inexperiente. É isso. Apenas meus 2 centavos de prosa 🙂 Abraços. — c.a.t.

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