Bahiana – Av. Copacabana quase esquina com Constante Ramos – 1971


Vendo o arquivo do Correio da Manhã, num subpasta de figuras populares dei de cara com essa bahiana, e levei um susto.
Ela me acompanhou da minha infância até o início da minha juventude do caminho da casa das minhas tias avós ( http://www.rioquepassou.com.br/2010/05/10/av-copacabana-esquina-com-constante-ramos-final-dos-anos-60 )  até minha casa e vice-versa. Ela era uma das duas bahianas do caminho, a outra ficava quase na esquina com a Rua Dias da Rocha, na estrada da agência bancária, que até hoje existe ali, na época acho que do Mercantil de São Paulo. Nessa época além dos camelôs oficiais, com barracas na esquinas existiam além dos sorveteiros e pipoqueiros poucos outros ambulantes, como o das uvas cristalizadas na frente da galeria Menescal ou um ou outro ceguinho vendendo brinquedos de corda made in hong kong ou badulaques como Pentes Flamengo.
Ela ao contrario de suas colegas resistiu a invasão dos camelôs da era Brizola e seu socialismo moreno que lançou as pedras da destruição desta cidade, e até mesmo ao projeto Rio-Cidade, mas do meio dos anos 90 para frente sua presença foi rareando em horários cada vez mais restritos até desaparecer. Talvez por ser mais jovem que suas colegas conseguiu comerciar por mais tempo, ou o fato de só vender quitutes prontos a ajudou a se manter à selvageria dos tempos dos camelôs dos anos 80. Mas esse tabuleiro com o vidro basculante a acompanhou até seus últimos dias.
Ao fundo vemos a grande loja da Ducal ( http://www.rioquepassou.com.br/2011/12/02/av-copacabana-esq-com-constante-ramos-1971  )e o mobiliário urbano típico da Guanabara.

20 comentários em “Bahiana – Av. Copacabana quase esquina com Constante Ramos – 1971”

  1. Em 1971 vivíamos no que muitos erroneamente chamavam de “anos de chumbo” mas que foi um período dos mais tranquilos para o povo em termos de segurança e emprego. A quantidade de camelôs na zona sul é impressionante isso teve origem a partir da era Brizola, fato bem lembrado pelo André Decourt, como o inicio da destruição do Rio. Eu sempre digo que o maior erro praticado pelos militares foi o de não ter feito “o dever de casa” corretamente, pois deixaram escapar vivos elementos que ajudaram a destruir o Brasil e Brizola foi um deles…

    1. É muita desfaçatez essa afirmação de que vivíamos tranquilos nos chamados “anos de chumbo”. Logo no período Médici. Só pode ter partido desse cidadão que devia viver em uma redoma protegido pelo pai que, segundo ele, foi policial federal. Por sinal carreira que ele seguiu na esfera estadual. Foi exatamente o momento de maior perseguição e a censura mais inflexível. Não seria de estranhar seu comentário pois tendo se declarado extremista de direita era uma questão de tempo para ele começar a contaminar também este blog. No SDR levou duas “chamadas” da Gerência e não satisfeito ainda revelou seu lado de boateiro, além de ser regularmente censurado.

        1. Sem entrar no mérito do seu registro, até porque considero ambas ideologias deploráveis, pelo seu posicionamento creio que o referido comentarista encontrará terreno fértil para suas diatribes. Suspeito que seus conceitos são coincidentes. Se assim for não tenho mais nada a dizer.

          1. Longe de defender A e B, não gosto de anti democratas, e A e B decididamente não são democratas, não querem esclarecer o povo e quanto mais segmentada a sociedade melhor. Ambos se merecem !

          2. Em atenção à sua resposta, só para ficar claro, se ‘A’ se refere aos militares golpistas (1964) e ‘B’ aos petistas estamos de acordo. Execro a ambos.

          3. A essência da democracia consiste em respeitar a opinião e a ideologia de terceiros ainda que discorde frontalmente delas. Mas embora não seja uma atitude louvável tentar cercear de alguma forma os comentários que lhes são desagradáveis, ou mesmo querer “ganhar no grito”, é perfeitamente compreensível quando partidas de algum recalcitrante, ainda mais após alguns “cascudos” aplicados em inoportunas desordens promovidas em uma longínqua juventude, mas que fazem parte de uma história recente.

          4. Por uns segundos, ao ler esses comentários, achei que tinha entrado no endereço errado. Com todo respeito aos “expressadores de opinião” acho que aqui é um excelente local para discursarmos sobre a cidade que tanto amamos. Ideologia política nada tem a ver com o foco dessa página. Me perdoem Decourt e os demais que aqui postaram sobre o assunto. E viva o Rio de Janeiro!!!!

  2. Grande retorno para os amantes do Rio Antigo!
    Este trecho foi meu caminho habitual durante anos entre a casa da Barata Ribeiro e a praia em frente ao Guarujá, na altura do campo do Maravilha.
    Esta vendedora, perto do edifício Maximiano e da Casa José Silva, bem como a que ficava na calçada da Sloper, em frente ao Metro, junto da Raimundo Correa, eram figuras típicas da Copacabana de outrora.

  3. Bom retorno ao André. Precisamos de mais sites como este. Muita gente não tem acesso ao Facebook, ainda mais aos grupos, onde se vê e lê muitas barbaridades.
    O acervo do Correio da Manhã ainda trará muitas preciosidades.

  4. Bom dia. Os amantes do Rio agradecem o retorno do mestre A. Decourt mostrando fotos e contando a verdadeira história da Cidade Maravilhosa. Que este retorno seja cheio de sucesso. Embora não seja a minha jurisdição, o bairro de Copacabana, concordo plenamente que foi Brizola o governador que destruiu a ordem pública da cidade, que criou o plano favela de moradia e transformou a policia do estado em fantoches do crime, foi o pior governador que o Rio de Janeiro já teve. Muito embora, reconheço que o seu projeto de educação básica foi o melhor até hoje implantado no Brasil, infelizmente foi detonado pela Rede Globo, por vingança do Roberto Marinho de ter perdido o direito de transmissão do Carnaval de 1984, na inauguração do Sambódromo.

    1. Lino Coelho, o governo Leonel Brizola inaugurou o modelo de “administração compartilhada nas favelas”: Poder executivo, políticos, e tráfico. A partir daí e por motivos óbvio, moradores desses locais passaram a ter “imunidades” e uma “idoneidade” superior ao “morador do asfalto”.

  5. Excelente pedida o retorno ,André.Esperamos que possa ter material para publicações diárias,evitando abstinências.Quanto a Copa,de fato a invasão de camelôs se distancia muito do que vemos na foto.

  6. Boa tarde a todos.
    Realmente está cada vez mais um inferno poder andar nas ruas sem ser importunado pelos vendedores ambulantes.
    As calçadas no RJ são terríveis. Pequenas e cheio de obstáculos urbanos como hidrantes que não tem mais serventia, respiros antigos da Light, fradinhos, buracos, e … camelôs.
    Como bem disse o gestor do blog: “Eram poucos nessa época”.
    Lembro bem dos vendedores de doces, as bahianas, pipoqueiros, que geralmente chegavam no a partir das 15 horas para faturar com o horário do Rush indo até a noite, e talvez o vendedor de algodão doce, de Mate, do biscoito GLOBO, e de pirulitos, sendo que alguns nem tinham ponto fixo e sim rodava por toda a cidade.
    O Brizola foi o primeiro grande “pai” das favelas do RJ, foi o pioneiro em se iniciar isso que todos estamos vendo hoje em dia na televisão, na Imprensa, e na internet.
    A partir de 1983 para cá, tudo desandou e teve início a chamada geração dos “Acordos” com o crime organizado.
    Hoje, estamos pagando à conta da burrice que o habitante do RJ teve de colocar aquele “grande pai” no comando do Estado.

  7. Grande foto. Morei muitos anos na Domingos Ferreira próximo a Constante Ramos e presenciei muitas vezes a atividade dessa e outras baianas nas calçadas da zona sul. Se não me engano em outra esquina da Av. Copacabana tinha uma outra que eventualmente vinha vestida “a rigor”, com trajes típicos. Boas lembranças

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