Av. Central – quase esquina de 7 de Setembro – início do séc. XX


Nossa imagem de hoje é um pequeno apanhado do que era a Av. Central logo após sua inauguração, pelas árvores e pelo praticamente inexistente tráfego estamos por volta de 1908/09.
O trecho entre Rua de São José e Buenos Aires era o que tinha os prédios de maior importância institucional da avenida, grandes jornais, lojas chiques e afamadas, companhias mercantis e associações se instalavam nesses quarteirões. Curiosamente ou por um planejamento ou por forma expontanea a velha avenida era extremamente setorizada na sua ocupação inicial. Perto da Praça Mauá, tínhamos as cias de navegação, firmas de exportação e importação, armadores e comércio relacionado a viagens. Junto a região da Candelária os bancos mantiveram a tradição do séc. XVIII e propagaram a velha zona bancária junto a velha Bolsa rumo à nova avenida. Logo após a Buenos Aires iniciava-se a região com grandes magazines, os pioneiros cinemas, grandes jornais, cafés famosos, ecos certamente da velha Rua do Ouvidor. Na região de Santo Antônio os dois maiores hotéis rivalizavam frente à frente, tendo como vizinhos um do ocupante que estava no local antes da Avenida, o Liceu de Artes e Ofícios. Logo depois tínhamos os clubes de gabarito da cidade, o Derby, o Jockey e o Naval.
Passados os clubes tínhamos a região com os grandes aparelhos estatais da avenida, o Municipal, a Escola Nacional de Belas Artes, a Biblioteca Nacional, o Supremo Tribunal federal e port fim o Palácio Monroe. Nesse trecho de intrusos tínhamos o Clube Militar, alguns prédios comerciais e nos anos 10, o primeiro prédio residencial da avenina do Lafond, que nunca teve seu projeto concluído de todos.
Na nossa foto vemos o Jornal O Paiz, o Clube de Engenharia e parcialmente no canto direito a Associação dos Empregados do Comércio.
No urbanismo podemos ver com clareza os dois tipos de revestimentos colocados por Passos, o asfalto e manta e junto ao canteiro central os Ladrilhos de Asfalto, a prefeitura usou dois tipos o Fênix com mais de 30 mil metros quadrados instalados e o Amsterdam com pouco menos de 5 mil metros quadrados, infelizmente não sei precisar qual foi o usado na avenida. Tal revestimento permaneceu até o início dos anos 50, mesmo após a retirada do canteiro central, que curiosamente continuou no inconsciente coletivo dos motoristas, que conduziam os carros como o velho canteiro ainda existisse.

6 comentários em “Av. Central – quase esquina de 7 de Setembro – início do séc. XX”

  1. Acho que essas concentrações acontecem de forma espontânea, mas havia uma certa conveniência como as que ficavam perto do cais. Por haver uma população bem menor, era mais fácil fazer e manter o urbanismo na cidade.

  2. Eu particularmente aprecio esse tipo de setorização, como foi depois de alguns anos feito em Brasilia mais radicalmente, com os bancos , comércio e clubes cada um num setor. Com essa medida
    acho eu os bairros ficariam só com as moradias, para o nosso sossego.Em tempo, aproveito o seu espaço Andre, para o descaso da prefeitura com as árvores da Praça Vanhargen aqui na Tijuca que
    foram todas arrancadadas para dar espaço ao piscinão,de esgoto,
    contra as enchentes na Praça da Bandeira.

  3. Trabalho na Mayrink Veiga que está a duas quadras da Praça Mauá e sempre brinquei comentando que este trecho até a Presidente Vargas é a área dos “pobres”. Poucos homens de terno bem como mulheres elegantes circulando e lojas sem grande glamur. E da Pres. Vargas até a Cinelândia, a área dos “ricos”. Diante do relato do Decourt, constato que o mesmo panorama perdura depois de 103 anos.

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