Rua Frei Caneca, Catumbi, anos 70

Hoje temos um post duplo com o Rio de Fotos, do amigo Derani que publicou uma foto da Rua Frei Caneca nos anos 50, mostrando um conjunto de quatro edificações, http://fotolog.terra.com.br/nder:1694 .
Nada mais existe, esse pedaço da Rua Frei Caneca era praticamente paralelo a Marquês de Sapucaí e ficava exatamente o trajeto da Linha Lilás, o sistema viário que ligaria Botafogo ao Gasômetro, via Catumbi e Santo Cristo, nunca terminado. Mas mesmo sem terminar a Linha Lilás ajudou a destruir pelo menos 2 bairros, Catumbi e Cidade Nova, arrasados para nada.
Meu pai como arquiteto do EGB na época lotado na toda poderosa SEP ( Secretaria de Projetos Especiais) tentou demover o grupo de urbanistas e arquitetos, seus pares, que a destruição total do conjunto edificado seria um erro, que custaria muito dinheiro para ser reparado e possivelmente décadas para ser dada vida a região. Defendia a manutençao de conjuntos ainda íntegros e de importância arquitetônica e para isso produziu uma série de transparências entre os anos de 1971 e 72 para expor seu ponto de vista, várias imagens já foram inclusive publicadas por aqui. Como todos sabemos sua opinião não foi acatada e toda a região foi demolida, deixando áreas vazias e sub utilizadas e pedaços do antigo tecido urbano desconectado e que por força disso decai cada dia mais.
Os imóveis que vemos, inclusive o casarão com entrada para carruagem ficavam num pequeno largo na parte curva  da rua logo após o Chafariz do Lagarto e que é o único objeto do antigo tecido urbano que sobrevive, até mesmo esse trecho (como traçado) da rua desapareceu completamente, ficando a Frei Caneca dividida em dois pedaços distintos. Aparentemente a Escola Visc. de Ouro Preto já se encontrava desativada pelo estado do prédio com janelas caídas e cara de abandonado
Foto do arquivo da família.

17 comentários em “Rua Frei Caneca, Catumbi, anos 70”

  1. Impressionante!
    Sempre tem alguém que ganhar dinheiro demolindo a cidade!!
    Obras enche o bolso de muita gente, pois é fácil de desviar!

  2. Esse trecho da Frei Caneca na verdade existe hoje, espremido entre o viaduto e o sambódromo e fazendo a ligação entre a Rua do Catumbi e a entrada da Salvador de Sá. Mas não sei se o traçado é o mesmo da via original, e se ela deixou de existir e foi reconstruída em alguma época.
    Seja como for o traçado original da Frei Caneca é curioso, pois parece muito mais lógico a via seguir por onde é a Salvador de Sá.

    1. Lógico hoje com a região dissecada e urbanizada, a Frei Caneca driblava charcos e pântanos e foi traçada no período colonial de forma expontânea, por isso o traçado irregular como a sua contemporânea a Rua do Riachuelo. A ver mapas antigos vemos que esse traçado sumiu, o que temos hoje é apenas uma via espremida entre os viadutos, para constar e manter os trechos unidos para fim de cadastro e numeração

      1. Riachuelo eu sei que seguia entre os morros de Santa Teresa e do Senado, enquanto o outro lado desse morro (onde hoje passa a Pres. Vargas) era pantanoso. Já a Frei Caneca eu não sabia, achava que os charcos eram só na região onde está a Praça da Bandeira.
        Não era a Frei Caneca chamada de “Mata Bois” ou “Mata Porcos” ?

        1. Os charcos se espalhavam por toda a cidade, tanto que a Benedito Hipólito foi conhecida na época de D. João como Caminho do Aterrado e depois das Lanternas, colocadas para sinalizar o leito da via que era cercada de charcos pelos dois lados. O traçado original da Frei Caneca, a aniga Mata Porcos buscava áreas maius altas chegando junto as fraldas dos morros da Formiga e S. Carlos

  3. Decourt, talvez você consiga me tirar uma grande dúvida. Vi num filme do ano de 1940 uma cena muito estranha: um bonde sai do que a meu ver é a rua do Riachuelo e entra à direita na Frei Caneca. Porém, em frente à rua do Riachuelo, onde hoje é a rua Marquês do Pombal, no filme aparecia uma espécie de pátio fechado. Ao que me consta, a Marquês de Pombal (embora com outro nome) é uma rua muito antiga e sempre desembocou na Frei Caneca.
    Você teria algo a comentar sobre isso?

    1. Hélio, tenho um mapa da região dos anos 40 e voilá, a Rua Marquês de Pombal é interrompida antes de chegar na Frei Caneca, vou investigar para tentar saber o que exisitia por ali. Possivelmente o Batalhão da Polícia de Choque era maior do que hoje.

  4. Decourt, você sabe informar se a rua Marquês de Pombal sempre desembocou na Frei Caneca? A meu ver, sim. Porém vi num filme de 1940 o que parecia ser um pátio fechado, no ponto desse desemboque. Como se a Marquês de Pombal não tivesse saida para a Frei Caneca.

  5. Gostei de saber porque o traçado da frei Caneca parece ser tão bizarro. Hoje, a parte que vem do campo de sant’ana parece que nada tem a ver com a que está após o sambódromo.
    A área foi piorando com o tempo desde que fizeram o túnel. Lembro-me de utilizar muito a Marques de Sapucaí a a própria Frei Caneca nos anos 60. Morador da Pinheiro Machado, seguia por ali frequentemente para visitar os familiares que moravam na zona norte. no início não era tão ruim.

  6. por acaso os senhores tem alguma inormação sobre um posto de gasolina, penso ter sido de bandeira Ipiranga, localizado no cruzamento da Rua Frei Caneca e Men de Sá pelos idos de 1050/56?

  7. Eu moro no Catumbi, e passo por esse lugar com frequencia, em frente ao chafariz do lagarto existe hoje uma recem urbanizada pracinha, antes de tal urbanização ainda podiam-se ver restos de pisos das residencias q ali existiam, pena que não tive tempo de fotografá-los, mas, ainda sobram nas bordas da pracinha, os blocos de pedra que ficavam no chão, nas entradas das construções, e da pra notar os furos onde fixavam-se as barras dos portões e grades!

  8. Essa imagem me lembrou muito a residencia da minha tia na rua General Pedra. na década de 60 eu tinha 5 anos. lembro que quando íamos passar final de semana na casa dela, ficávamos na sacada. apreciando a rua.

  9. Gostaria de saber se alguém tem informação sobre um posto, talvez uma só bomba de gasolina, localizado na esquina de Av. Mem de Sá e a Rua Frei Caneca nos idos dos anos 50. Estou a procura do possível proprietário (Elias), possivelmente um parente meu que não conheci. Obrigado.

  10. Gostaria muito de receber fotos da antiga Rua Marques de Sapucaí, onde nasci em 1952. Inclusive a ponte de atravessava a linha do trem da Central era de madeira na época. Lembro-me de muitas coisa daquela época pois a ponte não tinha iluminação e foi feita uma grande campanha política para que ela fosse iluminada, isto depois que passou a ser de concreto.
    Infelizmente tivemos de sair de lá no período de 1976, pois já estavam destruindo todos os casarões daquele lugar para dar espaço ao nada que hoje ocupa um local de tantas histórias e momentos brilhantes de uma cidade que se acabou em nome de um progresso que não foi e nunca será desfrutado por quem viveu os últimos dias da histórica Rua Marques de Sapucaí e o numero onde morei foi 75. Meus amigos de infância e vizinhos, alguns já se foram, ocupavam as casas de número 77, 79 e 75. E tinha um açougue embaixo de um sobrado duplo no número 74.

  11. Residi nos limites da Rua Frei Caneca, quase em frente ao quartel da PM (ainda existente), existiu uma escola aí próximo “Escola 1 5 Visconde de Ouro Preto”. Teria V.Sa alguma informação sobre ela, seus arquivos, já que foi extinta literalmente com a construção do Sambódromo. Grato

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