Trevo da Via XI, com Av. Litorânea, Cond Alfa Barra-1981

Roberto Tumminelli publicou ontem no seu “Carioca da Gema” uma imagem do livro Rio 70 da chegada da Via XI, junto à Av. Litorânea numa deserta Barra da Tijuca  por volta de 1968/69 (http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema:262 ).
Era a realização do Plano Piloto Lúcio Costa para a Barra, que previa uma cidade com mais espaço urbano, setorizada e criada para abrigar a expansão demográfica do Estado da Guanabara. Como em Brasília dava-se ênfase aos maiores deslocamentos por via rodoviária, sendo construídos eixos principais, de alta velocidade, sem interseções e cruzamentos, como era o trecho antes traçado para a BR-101, engolfada pela urbanização e transformada na Av. das Américas e a Via XI, superposta por velhas estradas que vinham da região do Anil e Gardênia Azul rumo ao Mar, depois chamada de Av. Alvorada e hoje Av. Ayrton Senna.
Mas o metrô era também pensado, na chegada da Linha 3, passando pelo Meier o final planejado da Linha 1,  no Cebolão, numa linha de 21 km vinda da Penha. Como também o mono-rail ligando Curicica até o Galeão, passando pelo Campinho, Madureira, Vicente de Carvalho, onde cruzaria com a Linha 2 do Metrô, Brás de Pinna onde se encontraria com o final da Linha Verde, indo então até o aeroporto. Curiosamente a Linha 4 não constava no Plano Piloto, certamente sendo só exequível depois do ano 2000.
Para quem tem a curiosidade de ver a planta original imaginada por Lúcio Costa e comparar com a atual ocupação do bairro, não só em espaços privados como públicos percebe-se que muito foi desvirtuado, se antes tínhamos um bairro estéril à luz de uma cidade adensada e espontânea, hoje temos bairro chegando prematuramente à saturação pela falta de um controle do crescimento controlado, funções básicas como esgotamento sanitário, transporte e meio-ambiente estão ameaçados. Se nos anos 50 isso aconteceu na Zona Sul, é inadmissível que aconteça de novo, ainda mais o plano original ter se proposto a evitar tais mazelas.
A chegada da Via XI na orla se aproveitava de um alargamento da restinga que separa a Lagoa de Marapendi do mar, facilitando a construção de uma ponte menor como a realização de um trevo sem muitos aterros.  Além de possibilitar segundo o Plano Piloto a construção em um dos lados desse grande banco de areia um núcleo de torres residenciais, sendo o outro lado destinado construções baixas, pequeno comércio e residências unifamíliares.
Nossa foto de 1981 mostra a construção do Condomínio Alfa Barra, construído no exato lugar pelo Carioca da Gema, 13 anos depois. Do cenário agreste de areia com densa vegetação de restinga pouca coisa sobra. A terraplanagem chega, em muitos pontos, à beira das águas da lagoa, destruindo o manguezal. As torres começam a se elevar do lado oposto do planejado pelo Plano Piloto,  outras serão erguidas também do outro lado, desvirtuando o que foi pensado, e acrescentando mais torres que pensava Lúcio Costa. Embora longe de chegar a exaustão da paisagem que acontece em Athayde Ville, onde os prédios planejados foram mais que triplicados, criando uma pequena Copacabana e segmentando o horizonte do bairro.
Nossa foto mostra a Av. Sernambetiba, antiga litorânea, já duplicada e urbanizada parcialmente já com o feio paliteiro de postes de iluminação pública de 18 metros, que entristeciam o urbanista Lúcio Costa, pois pelo seu plano a iluminação pública em toda a Barra deveria ser baixa e não bloquear visualmente o horizonte como acontece hoje.
O calçadão só seria construído por volta de 1991/92 quando a Barra e recreio ganharam um dos seus maiores surtos de urbanização pública na prefeitura de Marcello Alencar.
Junto aos carros estacionados por cima da areia vemos vários dos antigos trailers, transformados em quiosques na mesma reforma urbana, chamada de Rio-Orla que deu a atual cara das av. litorâneas da cidade do Leme até o Pontal.

16 comentários em “Trevo da Via XI, com Av. Litorânea, Cond Alfa Barra-1981”

  1. O plano da Linha 3 do Metrô partiu da Companhia do Metropolitano e não do Lucio Costa. Segundo os estudos do metrô de 1977 a linha 3 iria da Ilha do Governador até a Cidade de Deus, sendo mais tarde prolongada até o Recreio dos Bandeirantes pela estrada dos Bandeirantes. A Barra da Tijuca seria atendida por ramais de linhas de Pré-Metrô partindo da Cidade de Deus. Mas tudo isso não saiu dos estudos preliminares, pois já estava complicado até tocar as obras na rede básica.
    A idéia de implantação de uma ferrovia metropolitana na Baixada de Jacarepaguá nasceu no final do império, já prevendo a ocupação da área. A obra da ferrovia começou em 1891 no Largo da Carioca, semdo mais tarde embargada em função de batalha judicial provocada pelas companhias de bondes, que alegavam reserva de mercado.
    A imagem de 1981 é sensacional.

    1. Vale lembrar que a Urca em 1992 também foi contemplada com o proleto Rio Orla, no calçamento das vias litorâneas, que até então serviam de estacionamento.

    2. Claro que as linhas partiram do Metropolitano, mas Lúcio Costa as usou no seu plano piloto, como usou as já traçadas BR-101 e Av. Litorânea, bem como integrou zonas pré loteadas dentro da área abrangida como parte do Recreio dos Bandeirantes e o Jardim Oceânico-Tijucamar, que eram áreas loteadas e com PA´s definidos desde os anos 50. Lúcio Costa nesses lugares fez modificações na urbanização, arborização, gabarito e uso do solo, mas o traçado e a ocupação, mesmo que incipiente já existiam.

      1. Isso em modelo rodoviário, uma temeridade, pois uma grande cidade não pode dispensar o transporte de massa.

    1. Planejamento mal feito, pois conceber essa imensa região sem considerar a implantação de transporte de massa foi uma temeridade, ainda mais numa metrópole como o Rio de Janeiro. Deveria ser reservado espaço para implantação de uma ferrovia para o transporte de passageiros.

  2. O estranho é que em todos os antigos planos do Metrô para a Barra, a ligação seria feita via Jacarepaguá até a Linha 2. Só se pensou na ligação com a Zona Sul recentemente, naquele plano vai-não-vai-acabou-fondo que foi um dos factóides do Pan.
    Acho que o desenvolvimento da Barra, na época do plano Lúcio Costa, era pensado em torno da criação do Centro Metropolitano na baixada de Jacarepaguá, fazendo com que o pólo de atração da cidade se deslocasse pra lá e reduzindo os problemas de deslocamento dos moradores da região. O problema da Barra hoje é que todo mundo tem que entrar e sair de lá diariamente.

  3. Estive hoje por aí, um caos total no tráfego. Resolvi tudo que tinha que fazer e voltei rapidinho e satisfeito para o meu subúrbio além tunel. E pensar que ensaiei mudar para esta região uns 5 anos atrás (ainda bem que empurrei com a barriga).

  4. E pensar que esse lugar lindo em poucas décadas ia virar um simulacro de Miame, com espírito Paulistano e ares da casa-grande… Repleto de um carnaval de lugares cafonas como downtown, NYC Center e Barra-world… E Habitat Natural de teratogenias como Vera Loyola e seu poodle…

  5. perfeito o comentario que comenta que irar virar miame, os locais citados são de extremo mau gosto , pqnão evidenciar belezas de nosso pais e sim coisas norte americanas :)??

  6. Olá André! Estou entrando em contato, porque preciso falar com o Marcelo Almirante. O assunto é referente a um artigo que ele fez sobre Memória do Transporte Público e usou uma foto de um transporte puxado por burros. Sou assistente de edição de uma editora, a Synergia (www.synergiaeditora.com.br) e estamos em fase de pesquisa para um livro sobre o assunto. Foi-me dada a incumbência de descobrir quem é o detentor original da foto usada por ele. Nem sei se é a pessoa certa, mas tenho que tentar. Se você puder me ajudar, fornecendo um e-mail ou mesmo telefone, eu te agradeço efusivamente.
    Atenciosamente
    Helena Monteiro
    21 3624 4301

  7. Esse Barrense é um babaca e acha que mora bem. Ai só tem a praia e nao presta agua gelada e mar revolto. O bairro é cafona, carioca que se preste nao mora ai hoje em dia. Ja foi bela nessa época. ex pobre metidos a besta e de péssimo gosto.

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