Bairro Peixoto, final dos anos 40

foto de andredecourt em 30/10/07

Estamos de volta ao Bairro Peixoto com uma foto do início de sua ocupação e urbanização.

Em primeiro plano temos a Praça Edmundo Bittencourt, e em seguida a esquina das Ruas Maestro Francisco Braga e Tenente Marones de Gusmão.
Vemos que os prédios da primeira geração do bairro já estavam levantados e a segunda geração já era construída. Na foto vemos prontos os edifícios de números 336 e 353 na esquina com a Rua Ten. Marones, que como membros dos edifícios da primeira geração sofriam forte influência dos estilos normando e neo-colonial, aliás como as casas construídas dentro do bairro na mesma época, quase todas demolidas a partir do meio dos anos 70. A segunda geração representada pelo prédio de número 350 ainda mantinha os apartamentos no térreo, telhados com telhas francesas, ausência de elevador e apenas 3 pavimentos, contando com o térreo, mas já com fachadas em linguagem moderna, com grandes janelas e sem detalhes decorativos. A partir daí casas não eram mais levantadas.
Apesar de loteado e construído em pleno frenesi especulativo de Copacabana o Bairro Peixoto pela limitação de seu gabarito e pela distância da praia não interessou à época as grandes construtoras como a Corcovado, tendo sido os prédios muitas vezes construídos por empreitada, capitaneadas pelos proprietários dos terrenos, ou por construtoras de porte médio como a Penna-Franco muito presente nos pequenos prédios dessa época. Os prédios eram construídos como forma de investimento, tendo surgido muitos edifícios com pequenos apartamentos de sala-quarto sem dependências ou quitinetes de propriedade de apenas uma pessoa ou família que dele tirava seu rendimento. Aliás o edifício que vemos ser construído em nossa foto é um legitimo representante dessa categoria. O que fazia um contra-ponto com os outros prédios quase todos com apartamentos de 2 ou 3 quartos com dependências, não havia um meio termo
A Praça Edmundo Bittencourt ainda não estava urbanizada, o que nos dá para essa foto o período anterior a 1950, quando ela ganhou seu nome, foi ajardinada e ganhou um busto do próprio dono do Correio da Manhã, de autoria de Leão Veloso, e que ficava em local diverso de onde hoje se localiza.
Na praça, pastando vemos dois bodinhos, usados para puxar charretes para crianças em torno da praça, havendo também pangarés para voltas mais longas, subindo as ladeiras do bairro ou explorando a ainda não aberta Figueiredo de Magalhães ou as desertas Santa Clara e Henrique Oswald.

Comments (5)

luiz_o disse em 30/10/07 08:59 …
Os pangarés e os bodinhos sobreviveram aí até o final da década de 50.
Eu mesmo, por muitas vezes, passeei por estas ruas, montado a cavalo.
Era uma pracinha super-simpática.
therockisanart disse em 30/10/07 09:00 …
Sugestão de fotos:
Bairro de Marechal Hermes e bairros vizinhos.
Bairros da Zona Oeste!
Abraços
Michael Meneses
jban disse em 30/10/07 10:28 …
Vemos em primeiro plano o símpático casal, o bode Zé e sua caprina companheira a Cabrinha Lulú… Eram a alegria da criançada do Bairro Peixoto.
phnovo disse em 30/10/07 15:10 …
Pangaré, ainda existe por la! Vide o dono do fotolog 🙂
Quem diria que 50 anos depois esse seria um dos locais mais cobiçados de Copacabana!!
jban disse em 31/10/07 16:11 …
passando de novo por aqui. A foto é sensacional !!
Vem pro Terra, cara teimoso ….

3 comentários em “Bairro Peixoto, final dos anos 40”

  1. NASCI NA DÉCADA DE 60, PASSEI MINHA INFÂNCIA COM MINHA MÃE ME LEVANDO PRA BRINCAR NA PRAÇA EM FRENTE AO CHAFARIZ E FREQUENTANDO AS FEIRAS DE DOMINGO DO TRANQÜILO “BAIRRO PEIXOTO”. NÃO SABIA QUE 25 ANOS ANTES AINDA TINHA BODE E CAVALO POR ALI!

  2. Saudosa pracinha que eu chamava de Rocinha, onde brincava em meados dos anos 40 e daí por diante…havia um bambuzal que não aparece na foto.
    O Bairro Peixoto é muito caro ao meu coração!

  3. Bairro Peixoto, lugar onde tinha ônibus elétrico, peladas no Beco, lá em cima da Maestro, na praça então, era campo para todo lado, bambuzal, postes de granito, chafariz em madeira ainda, mãe da rua, carniça, garrafão, bolinha de gude, peão, gol pequeno no ringue, trenzinho que servia de banheiro, mangueiras, jamelão, a Boca do Lobo, lugar muito mal falado, mas imprescindível para quem morava na Santa, foram momentos inesquecíveis que estão marcados em minha memória, e principalmente no meu coração. Pessoas, vamos lá:
    Caíque, Olho de Vidro, Murilo, Tuneca, Coelho, Gordo, Zelito, Paulão, Raimundo, Jesus, Galba, Edinho, Mula Manca, Rodolfinho, Xandinho, Luizinho, Miguel, Marquinho da Santa, Pelé Ricardo, Lepé, Gordo de Maricá, Fernando, Zeca, Rodolfo,Sandra, Jaqueline, Lélia, Denise, pessoal do Pontinho (UFA FOI O QUE ME LEMBREI). Se esqueci me dê um toque. Fui……..

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