andredecourt's photo from 6/1/07

Região do Campo de Santana, início dos anos 40

Nossa aérea de hoje mostra a região do Campo de Santana ainda sem as grandes intervenções urbanísticas que aconteceriam poucos anos à frente.
O detalhe que mais salta os olhos na foto é a ausência da Av. Pres. Vargas, que nos possibilita ver o traçado original da região de um ângulo inverso do que estamos acostumados. Vemos o prédio da Prefeitura, e podemos ter uma idéia da sua profundidade, indo da Praça da República até a Av. Tomé de Souza, uma das vias criadas por Passos, para ligar a Rua República do Líbano até a Av. Mal Floriano. Com a construção da Av. Pres. Vargas ela perdeu seu sentido e hoje passa desapercebida.
Ao lado da prefeitura vemos a torre da Igreja de São Jorge, ainda bem inserida no tecido urbano, sem os terrenos vazios que até hoje existem na sua vizinhança, resultado da abertura da Av. Pres. Vargas, bem como de uma das tentativas de se levantar uma nova prefeitura no local logo depois da abertura da nova avenida.
Na parte superior vemos o Ministério da Guerra ainda em seu prédio primitivo e a presença de alguns prédios na região da Rua Camerino.
O próprio Campo de Santana se mostra inteiro, sem a mutilação feita em uma das suas extremidades para a passagem da nova via, a vegetação também parece menos densa que nos dias de hoje, vemos vários dos traços criados por Glaziou mesmo do alto.
Do lado oposto vemos com destaque a casa do Conde dos Arcos, muito modificada para depois sediar o Senado Imperial e dos primeiros dias da república, na antiga Rua das Boas Pernas, por ser nos tempos de colônia uma via constituída de areia muito fofa, e hoje rebatizada de Moncorvo Filho. O histórico prédio continuou tendo o uso ligado à história do Brasil tendo sediado a Faculdade Nacional de Direito, hoje Fac. de Direito da UFRJ, tão aguerrida nos tempos da ditadura.
Mais para os lados da Rua Frei Caneca, vemos uma grande construção que se destaca, era o antigo Hospital Geral do Campo de Santana, criado pelo Prefeito Souza Aguiar em 1908, e tendo seu prédio em muito ampliado e melhorado na Administração Carlos Sampaio em 1920, tendo sido subistituído pelo novo Hospital Souza Aguiar, construído na Adm. Carlos Lacerda. Quando depois de encerrada a obra o velho prédio foi demolido.
No mesmo lado do Campo, um pouco mais para cima da Fac. de Direito vemos parcialmente o grande prédio da Casa da Moeda, hoje entregue ao Arquivo Nacional.
Na extremidade superior direita vemos a silueta do Ed. A Noite.

Comments (12)

caucaia1 6/1/07 9:02 AM …
Que bárbaro! Adorei esta foto e mais ainda seus diáriamente necessários comentários – um pequena conferência.
caucaia1 6/1/07 9:02 AM …
Uma – desculpe o erro.
bacione 6/1/07 9:27 AM …
Realmente, uma aula atrás da outra. Muito legal. bjs Pia
jaymelac 6/1/07 9:43 AM …
Realmente, a Presidente Vargas foi uma obra e tanto. Não sabia que ela podou um pedaço do Campo de Santana, que continua sendo um oasis no centro do Rio. Conheço bem este trecho da cidade hoje; é muito interessante saber de suas origens e evolução. Ótimas informações.
souzaneto 6/1/07 10:47 AM …
André, o belo prédio do Corpo de Bombeiros não aparece na foto?
derani 6/1/07 2:17 PM …
Uma beleza de cidade… mais humana..
Nestas ruelas deviam haver muitas lojas e estabelecimentos interessantes.
Seria bom se pudessemos voltar no tempo e passar por aí…
Rafael Netto 6/1/07 5:20 PM …
Andre, esta foto deve ser da primeira metade da década de 1930, porque o edifício do Ministério da Guerra não estava nem em construção ainda.
Tenho a impressão que o Souza Aguiar foi construído por trás do Hospital Geral, da mesma forma que o Ministério e a Central.
andredecourt 6/1/07 5:49 PM …
Rafael vc está certíssimo, há fotos dos dois prédios convivendo, e os dois funcionando, o Souza Aguiar sendo ativado por setores e o seu antecessor desativado, quando se encerrou o processo ele foi demolido
andredecourt 6/1/07 5:50 PM …
Souzaneto, o prédio dos bombeiros acabou ficando fora da foto, ele ficaria um pouquinho mais à direita no eixo Visconde do Rio Branco e Frei caneca
js 6/1/07 8:17 PM …
Outrora chamada de róssio, esta região era um verdadeiro pântano,ou mangue,os governantes pediam que ali se desovassem os entulhos das obras,e nesta área tambem tinha um cemitério de escravos.O que hoje é o canal do mangue, naquela época, era um pedaço do mar que ia até o Campo de Santana.
souzaneto 6/2/07 10:43 AM …
valeu André
angemon 6/3/07 8:35 PM …
como sempre, um show de post!
PS: se der, vc me manda o link do oratório do Beco dos Barbeiros?
valeu
bjs