Manobras e apresentação dos Soldados do 18º GACOSM, início dos anos 40

 

Essas curiosas imagens foram me enviadas pelo amigo Carlos Ponce de Leon de Paiva e mostram os militares do 18º GACOSM, que ficava localizado, acreditem se quiser, em pleno Leblon.
A região hoje conhecida como Largo da Memória é uma das regiões mais antigas do bairro, existente aliás muito antes do bairro ser criado, quando era apenas um apêndice litorâneo e inservível da Gávea. Formado  de forma expontânea junto ao leito da antiga Rua do Sapê, que serepenteava pelas áreas mais altas e secas do bairro até as chácaras que existiam onde hoje é o Alto Leblon.
A partir dos anos 20 a região começou, juntamente com outros trechos próximos da Lagoa, todos ainda ermos, alagadiços ou sem valor imobiliário, a ser favelizada, criando um grande núcleo, chamado Favela da Memória, já mostrada aqui no site ( http://www.rioquepassou.com.br/2008/04/04/favelas-do-leblon-anos-30/ ), onde a vemos na elevação entre o Largo da Memória e o canal da Visconde de Albuquerque e ainda muito pequena se comparada a enorme Praia do Pinto.
Já nos anos 30, notadamente nos primeiros momentos do Estado Novo o governo Vargas notou que  pontos da cidade corriam o risco de serem inviabilizados e sufocados pela favelização, foi então iniciada uma pouco conhecida política de remoção de favelas, que se extendeu pelo primeiro e segundo governos de Vargas removendo favelas em locais hoje insuspeitos, como Rua Figueiredo de Magalhães, trechos de várzea de Tijuca etc… e também no Leblon.
As famílias foram todas removidas para duas vilas proletárias, uma junto aonde seria construído o conjunto do Parque Proletário da Gávea e outras junto a uma área lateral a Praia do Pinto, que também seria removido, e todos alocados no grande conjunto.
A área foi então entregue ao exército que ali instalou seu 18º Grupamento de Artilharia de Costa Motorizado, de onde eram os soldados que vemos em formação.
A primeira imagem mostra uma panorâmica do largo ainda não ajardinado e com poucos imóveis, alguns podemos identificar no post linkado, o fotógrafo parece estar numa parte da construção até hoje existente mais completamente alterada e emparedada, mais ou menos perto do portão de entrada da unidade.
Já na segunda foto os soldados parecem estar perfilados mais para a Gávea, mais ou menos onde hoje passa a Auto Estrada Lagoa-Barra.
Nos anos 90 o exército saiu da unidade que foi repassada ao ERJ que ali instalou o 23 BPM.

18 comentários em “Manobras e apresentação dos Soldados do 18º GACOSM, início dos anos 40”

  1. “Quer de costa, antiaérea ou de campanha
    Eu domino no ar, no mar, na terra
    Quer do forte, do campo ou da montanha
    Vibra mais no canhão a voz da guerra
    Da batalha sinistra, a melodia
    É mais alta da garganta da pesada Artilharia”

  2. Excelente explicação e fotos de mais um capítulo da história da
    nossa cidade.Note-se que os capacetes dos nossos soldados
    são parecidos com os dos soldados alemães que já lutavam na
    Europa. O Helio homenageou a Artilharía mas o pessoal da foto
    pertence a Infantaría.

  3. Marco, acho que há um engano. Veja o significado de GACosM: Grupamento de Artilharia de Costa Motorizado. Consultando vários sites de GACosM, em todos vi a abreviação Bia, que significa Bateria, termo usado especificamente na Artilharia.

  4. Excelentes fotos, de grande valor histórico para os amantes do Leblon!
    Na primeira foto, as duas construções mais à direita da foto, foram demolidas nos anos 70. O prédio baixo, na parte central da mesma foto, só foi demolido há uns 5 anos.
    O intervalo entre as contruções, na primeira foto, é a esquina da Rua Juquiá com a Bartolomeu Mitre.
    Quanto aos capacetes dos soldados, na realidade, são parecidos com usados pelos franceses até a Segunda Guerra Mundial, provavelmente consequência da missão militar francesa do início do século. O Exército Brasileiro o trocou, poucos anos depois da foto, pelo padrão americano de 1942.
    Já vi um cinejornal do DIP em que mostrava a remoção da favela do Largo da Memória. Parecia piada, mas era sério. Os favelados foram removidos de barracos do Largo da Memória para barracos de madeira padronizados, umas centenas de metros adiante, na favela da Praia do Pinto. Só podia ser deboche. Estes barracos padronizados foram removidos em 1969 ou 1970, quando finalmente ocorreu a erradicação da Praia do Pinto, durante o governo de Negrão de Lima. Os barracos padronizados ficavam na rua Adalberto Ferreira em frente a Baixo Bernadotte.
    Na segunda foto me parece que a formação de soldados se encontra na Bartolomeu Mitre de costas para onde hoje é a entrada do Hospital Municipal Miguel Couto. Observemos a elevação ao fundo da foto, parece muito com aquela que fica por trás da Rua Major Rubens Vaz.
    Quanto à unidade do exército, era realmente de artilharia. Pelo que me lembro chamava-se 8º GMAC (8º Grupamento Mecanizado de Artilharia de Costa).

    1. Exatamente. não é 18ª e sim 8ª.
      Meu Pai foi Sargento de lá por muitos anos, inclusive cheguei a ir lá por várias vezes.

  5. Meu pai serviu nessa unidade em 1957, quando morava no Bairro Peixoto, serviu junto com o Simonal, e ajudou a construir aquela amurada lateral ao antigo quartel.

  6. Obrigado Helio pela explicação , não tinha reparado, e como
    era uma unidade de costa tería que ser naturalmente de Artilha-
    ria.Como eu servi na infantaría, pelo vicio esqueci-me desse
    fato.

  7. Derani,
    Não é “karma” não. Ocorre que os prédios da região possuem apenas um ou no máximo dois quartos e ainda por cima sem garagens ou com garagens para poucos carros. Não podemos esquecer que quando da construção destes edifícios, nos anos 50 e 60, a área ficava a poucas centenas de metros da favela da Praia do Pinto. Eram prédios com características para classe média-baixa, com muitas unidades. Ainda por cima possuíam lojas no pavimento térreo, logo ocupadas por oficinas de automóveis, pontos de bicho, etc.
    A passagem da Lagoa-Barra no limite do quartel também em nada ajudou a valorização da região, muito pelo contrário.
    Atualmente melhorou um pouco, mas nada substancial.

  8. Montei muitas vezes neste Regimento, denominado Regimento Marechal Caetano de Farias. A arquitetura era muito bonita. Observem que os alojamentos dos praças ficava elevado, sustentado por estrutura de ferro. Dos alojamentos partiam barras cilíndricas por onde os soldados “escorregavam”para o primeiro piso onde estavam as baias. Como era uma unidade que deveria entrar em ação rapidamente, eles estavam prontos em poucos minutos. Quando se esperava alguma agitação, os soldados dormiam fardados e os cavalos encilhados, apenas com a barrigueira frouxa. Tinham também uma banda composta apenas por cavalos brancos. Não era mole tocar trompete na mão direita e conduzir o cavalo na mão esquerda. Da baia número 6 saiu o cavalo do Mal. Deodoro da Fonseca para que ele “proclamasse”a República. Desde então foi mantido um cavalo baio nesta cocheira. Era muito fácil montar nesta unidade. Como aluno do Colégio Militar, chegava, apresentava-me ao oficial de dia e pedia permissão para montar. Todos respondiam assim: vai montando e vai lavando. Deste modo eu era agraciado com o brinde de montar 3 a 4 cavalos por dia. Um deles virou meu preferido pela franqueza na hora do salto, era o “387” e tinha este número marcado na anca. Pouco anos depois me vi frente a frente com o 387. Ele conduzindo um soldado com espada na mão e eu correndo dele em frente à Candelária na missa do Edson Luis. A vida dá voltas.
    Odone Bisaglia, frequentador do blog do Luiz Darcy

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