Casa Martinelli anos 50/60

Estamos de volta do período de inatividade, com pelo menos nosso arquivo impresso disponível. Por isso começaremos com fotos enviadas pelo amigo Carlos Ponce de Leon de Paiva.

 O Carlos como aliás todos nós, está explorando à exaustão os maravilhosos arquivos da Life, abertos recentemente, e mandou esses dois literais petardos, aguardando a minha confirmação.

De fato nosso engomadinho visitante está aproveitando momentos de ócio na maravilhosa Casa Martinelli em fotos coloridas que mostram um pouco da opulência arquitetônica de Antônio Virzi, um dos mais fantásticos arquitetos que andaram por essas terras.

A casa construída anos antes seguindo projeto do arquiteto alemão  Driendl para o banqueiro Custódio D’Almeida Magalhães, foi reformada a fundo por Virzi a mando do seu novo proprietário o Comendador Martinelli em 1919.

Da casa original pouco sobrou, sendo coberta por uma casca de estuque e fer-forgè que alteraram completamente todo o estilo original da construção, num monumento a volúpia.

Todos os espaços entre o teto e as paredes foram preenchidos com relevos de estuque formando estalactites góticas, além dos tetos completamente ornados,  lustres exclusivos, claraboias e janelas e escadas com intensos trabalhos de serralheria que muitas vezes remetiam as gelosias do séc. XVIII.

Na primeira foto nosso engravatado modelo se encontra na varanda frontal, mais à frente a Av. Oswaldo Cruz, reparem na complexidade do estuque acima das colunas, que fecha visualmente o ambiente quanto mais se chega perto do teto.

Já na segunda imagem, o engravatado aparentemente está ou no vestíbulo ou no salão de festas da Casa Martinelli, o ambiente sintetiza o que era Virzi, o teto carregado de ornamentos, colunas totalmente desenhadas e como de costume alguma estranha figura humanoide, como a gárgula que sustenta o teto em primeiro plano.

Infelizmente a Casa Martinelli foi ao chão na segunda metade dos anos 70, como outras construções do arquiteto, com o Elixir Nogueira menos de 3 anos antes, mesmo sob protestos.

21 comentários em “Casa Martinelli anos 50/60”

  1. Não fazia idéia de que a Casa Martinelli tinha sido uma reforma, e não um projeto próprio do Virzi.
    Fico pensando se os demolidores dos anos 60 e 70 não sentiam remorso de destruir essas obras de arte. A Casa Martinelli estava em bom estado quando foi ao chão, ou já era uma ruína?

  2. conforme foi dito, o construtor original da casa foi Custódio de Almeida Magalhães, que era meu tio avô. Ele faleceu em 1917, e a casa foi vendida por sua viúva Suzana Hirsck para o Comendador Martinelli. Custódio era dono do Banco Almeida Magalhães e também foi presidente do Banco da República (Banco do Brasil). Foi nesta casa que aconteceu o famoso escândalo Barreto Pinto, que era o deputado casado com a filha do Martinelli. Ele foi fotografado de cuecas, e por causa disso foi o primeiro deputado cassado da história da república por decoro parlamentar.

    1. Gustavo, O Custódio de Almeida Magalhães a que se refere por acaso é filho do Custódio de Almeida Magalhães fundador do Banco falecido em 1991? Desculpe a indelicadeza ou a ignorância de minha parte, é que não encontrei documento que demonstrasse que o Custódio tivesse tido um filho homônimo.
      De qualquer forma, agradeço.

      1. Welber, O Custódio de Almeida Magalhães que construiu a casa foi filho do Comendador Custódio de Almeida Magalhães, fundador do Banco Almeida Magalhães e que faleceu em 1891. O comendador foi meu bisavô. Tenho a genelogia completa da família.

        1. Gustavo,
          Escrevi errado, 1891, não 1991.
          Nasci em São João del-Rei, onde seu bisavô foi o maior empreendedor no século XIX, e sem dúvida o maior empreendedor de sempre. Consegui a genealogia e já percebi que ele deixou muitos herdeiros. Minha dissertação de mestrado em História é sobre a Companhia Estrada de Ferro Oeste de Minas,e o nome do Custódio, ao lado de Aureliano Mourão, é o que mais destaque tem na implantação da estrada.
          Obrigado pela atenção!
          Abraços

          1. Prezado Welber,
            Sou neto do Alberto Custódio de Almeida Magalhães, filho do Comendador Custódio de Almeida Magalhães e irmão do ex-dono da casa do Martinelli. Meu avô assumiu a presidência do Banco Almeida Magalhães em 1930 até sua morte em 1962. O banco foi vendido em 1969 para o grupo financeiro Ypiranga, que sofreu intervenção do BC nos anos 70 e dissolvido.
            Estou muito interessado na sua dissertação sobre a EFOM. Meu bisavô foi um dos maiores acionistas. Poderia ter acesso a ela?
            gustavoamlemos@hotmail.com
            Grande abraço,
            Gustavo Almeida Magalhães de Lemos

  3. Ola Gustavo!
    deixa eu fazer uma pergunta!, o que foi feito do banco almeida magalhaes?
    esse assunto desperta uma grande curiosidade na minha familia, devido a existencia de uma Apólice no nome do meu bisavô e que foi feita nesse banco!. eu tenho essa apolice em maos. entao gostaria de saber se o banco ainda existe. se nao! se foi comprado por outro banco! e oq que foi feito das obrigaçoes desse banco!.
    se puder me ajudar irei ficar mto agradecida! .. abraços

  4. Este tipo de construção são táo góticas e assustadoras, parecem castelos do velho continente, lamentável a perda pelo valor Histórico.

  5. Olá Gustavo,
    Sou apaixonada por casas antigas, palacetes. Desde q vi este palacete na net fiquei maravilhada, como tiveram coragem de demolir, aff! Gostaria de ver mais fotos deste Palacete maravilhoso,fotos do exterior e interior.Se tiver poderia me enviar? Desde de já agradeço a atenção. Bianca

  6. Permita-me corrigir a asserção acima. O episódio com o então deputado Edmundo Barreto Pinto ocorreu em outubro de 1946 quando o fotógrafo Jean Manzon, acompanhado do jornalista David Nasser, ao entrevistar o deputado informou-o que sacaria uma foto da cintura para cima, e, como o deputado estava vestindo-se e apenas com uma daquelas cuecas enormes dos anos 30 a foto foi publicada na sua integra. Foi um escândalo para a época. O deputado, do então PTB que havia sido eleito com míseros 200 votos sofreu impeachment.
    Quanto ao casamento, ele casou-se com a viúva do Comendador Martinelli no início da década de 1950.
    O Comendador Martinelli faleceu em 28 de novembro de 1946.

  7. Fantástico. Nunca imaginei que o palacete havia sido reformado por Martinelli, pensei que sempre fora assim. Lembro bem do Discóbulo de Miron no jardim. Ao menos a capela e seu acesso foram preservados.

  8. Respondendo a pergunta sobre o estado da casa antes da demolição.
    Eu morava no prédio imediatamente antes da casa e recordo que antes da demolição ela estava bastante suja e com a sua aparência externa descuidada para tamanha grandiosidade.
    A notícia da demolição tomou a todos de surpresa e lembro das várias partes de concreto quebradas que pendiam dos tetos caídas no chão em volta da casa. A medida que os andares superiores foram sendo desmontados podia-se ter uma idéia melhor da amplitude avantajada da residência.
    A estrutura era bastante reforçada com abundantes vergalhões de aço que eram expostos a medida que quebravam os pilares de sustentação.
    A quantidade de caminhões de entulho que saíram da casa foi grande apesar de seus poucos pavimentos.
    Hoje ao passar pelo prédio note que há um pilar de granito a esquerda e a direita da frente do terreno. Eles eram um a cada 2 metros aproximadamente por toda a extensão da frente do terreno. Entre cada pilar havia uma robusta e bela sequêcia de grades de metal.
    A casa tinha 2 entradas de carro bem separadas.
    As fotos da ampla área de lazer atrás do atual prédio seguem a linha de design da casa. Certamente faziam parte do complexo original.
    Afirmo isso porque estive nela logo após a inauguração do prédio e ela destoava completamente do design do prédio!
    Nela existe inclusive uma capela que jamais seria feita por uma construtora.
    Uma grande curiosidade é o tunel escavado na pedra que leva até um antigo e amplo elevador que sobe até a parte do topo da área de lazer do morro. Duvido que a construtora o tenha feito.
    Gostaria muito de ouvir o testemunho de outran pessoas sobre outros detalhes da casa!
    Tenho foto do muro que descrevi.

  9. Minha mãe Giulia Scielzo Leone chegou de Napoles em dezembro de 1926 com 20 anos de idade, e trabalhou nessa casa como Secretária de Inglês e Francês dos Martinelli e gostaria de saber se tem algum arquivo e acervo em que tivesse sido registrado a passagem dela nessa casa.
    Sou muito saudosista das coisas do passado, que me interessam muito.

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