Rua Ministro Alfredo Valadão – segunda metade dos anos 20

Nossas três e relativamente precárias imagens de hoje remontam a 1926 e 1928 e mostram um trecho naquela época praticamente abandonado do Bairro de Copacabana que era o prolongamento da Travessa Santa Margaria além da Rua Siqueira Campos, findando nas terras de Felizberto Peixoto.

 

As duas primeiras imagens mostram a precária rua, de terra batida, cheia de erosões, com uma rede elétrica deficiente, com barracões e casa simples e galinhas ciscando no meio da rua. No fundo o muro e um portão que dava acesso a localidade do “buraco quente” uma depressão que abrigava um pequeno lago, usado para irrigar as plantações de hortaliças que colonos portugueses e açorianos plantavam nas cercanias onde hoje está a Rua Joseph Bloch. O mais curioso que passados quase 22 anos a casa térrea, vista na esquina com a Rua Siqueira Campos, continua praticamente intacta, não obstante as violentas transformações urbanas que Copacabana passou como podemos ver pelo link do street view abrigando hoje uma madeireira, possivelmente um uso muito semelhante do passado. A casa subsistiu inclusive a mudança do PA da rua, onde ela e mais três casas antigas sobrevivem no meio de imóveis já com o novo alinhamento da rua Siqueira Campos, pensado para abrigar uma rua larga de acesso a uma galeria dupla do Túnel Velho. Até poucos anos atrás uma delas abrigava um fedorento aviário, onde se vendiam frangos vivos.

Nossa terceira imagem é de 1928 e mostra obras da City no local, que instalava um registro da rede de água potável na rua e uma sangria da rede de águas pluviais, que até os anos 70 corria aberta num trecho onde velhas casas ficavam abaixo da quota da rua já urbanizada e onde foi construído o prédio de número 41. Vemos que em 2 anos a rua ganhou um solitário poste de iluminação padrão light de braço curto. Ao fundo o portão da chácara que daria origem ao Bairro Peixoto continuava no lugar, podemos ver a densa vegetação que fazia a fama da propriedade, sendo que algumas dessas árvores ainda sobrevivem na pracinha do Bairro Peixoto.
A Rua Ministro Alfredo Valadão ainda guarda algumas das características de uma via que por muitos anos foi sub-utilizada, como dois alinhamentos de meio fio, dois tipos de parelelepípedos (hoje sepultados pelo asfalto), e um loteamento constituído de forma irregular com imóveis de várias testadas e profundidade e inclusive com uma servidão bloqueada que daria acesso à natimorta Praça Jardim Felizberto Peixoto.
Nos dias de chuva forte o velho “buraco quente” e seu lago ressurgem na esquina com a Figueiredo de Magalhães muitas vezes com a água chegando até as janelas dos carros estacionados.

6 comentários em “Rua Ministro Alfredo Valadão – segunda metade dos anos 20”

  1. Para você ver.
    Estamos falando em 1926 e 1928, a década de 20 do século XX.
    Cidades do mundo já havia do progresso como Nova York, Paris, Berlim, Londres, Moscou, dentre outras. E o Brasil, como sempre, no atraso, vivendo como se estivesse no século XVIII.
    A quem goste disso e acha lindo essas construções e ambientes como os apresentados nas fotografias.
    Mas a verdade, infelizmente é que o conluio entre Igreja Católica e Corte Portuguesa foram de fundamental importância para o atraso em que vivemos até hoje, de todas as formas, incluindo na forma de se pensar.
    Infelizmente.

  2. Não tenho como avaliar o local mas endosso o comentário do Wolfgang. Desculpe a franqueza mas o Brasil só teve a perder com a colonização portuguesa. Roubaram e exploraram o país até à exaustão, sem contar que deixaram em “Terra Brasília” a pior das heranças que alguém poderia legar…

  3. Mais um detalhe: sou neto de português mas isso não altera o meu juízo de valor. A diferença entre a colonização dos EUA e do Brasil consistiu na qualidade dos colonos. Enquanto para lá foram famílias de bem cujo “defeito” era a dissidência religiosa e cujo objetivo era o de colonizar e construir um país, para cá vieram bandidos, anormais, prostitutas, pederastas, ladrões, e assassinos. Deu no que deu…

  4. A colonização da Austrália foi feita por bandidos, anormais, prostitutas, pederastas, ladrões e assassinos, mas de origem inglesa. Apesar desta início de colonização ter somente 200 anos, a nação australiana é muito mais avançada que qualquer ex-colònia portuguesa e até mesmo a metrópole.

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