Vemos nessa imagem o Largo da Carioca, imaginado por Passos em seus últimos dias, pois dentro em breve seria varrido do mapa pelas obras do Metrô. Está certo que muitos dos elementos do íncio do séc. XX não estavam mais no local, como o chafariz que se localizava  ao lado das lentes do Sr. Gyorgy, bem como a praça circular em torno do relógio, debastada nos anos 50 para facilitar o tráfego de automóveis.
O assustador é que em 40 anos todos  os imóveis que vemos na imagem não estão mais no local, na realidade 20 anos depois essa constatação já era realidade, começando pelo conjunto eclético do Correio da Manhã na esquerda, indo para o quarteirão da Rua de São José, que aparece parcialmente na direita e até mesmo os dois prédios de concreto armado entre as Ruas Uruguaiana e Gonçalves Dias.
O primeiro, que abrigava mais uma das lojas da A Exposição, sempre com seu marqueting agressivo, foi ao chão já durante as obras do metrô, especulo se o prédio dos anos 40 não possa ter sofrido algum abalo com as escavações, já o segundo caiu no final dos anos 70 para a construção da fria e copiada sede do City Bank, inaugurada no início dos anos 80. Mais dois dos elementos que ajudaram a retirar a escala humanda do largo, tal qual vemos aqui.
Toda esta ambiência, comércio e conjunto urbano, meio decadente em compasso de espera para a destruição, mas equilibrado foi ao chão, transformando o local em uma árida esplanada onde a pessoa é achatada e expulsa, rapidamente, pela escala agressiva. Talvez seja essa a razão da decadência do Largo, virou apenas passagem, pois não convida ninguém, exceto camelôs , a permanecer.
Nessa imagem dos dias de hoje, em ângulo invertido http://g.co/maps/da8y3 vemos dois dos elementos que permancem no mesmo local até hoje, os oitis que demarcavam o antigo meio-fio do Largo com o quarteirão da R. de São José, e o velho relógio.
Foto de Gyorgy Szendrodi