Piscinas do CR Botafogo – 1971



Hoje temos um post triplo com os dois Saudades do Rio, o oficial e o oficioso, que mostram a região do Mourisco, chamando a atenção para o hoje demolido conjunto de piscinas e ginásio do Botafogo ( http://fotolog.terra.com.br/luizd:2795 e http://fotolog.terra.com.br/sdorio:2703 ).
Construído no local da antiga sede náutica e garagens de barcos, inviabilizadas pelos aterros e construção das pistas da Park Way e de autoria de Oscar Niemeyer o prédio fazia parte de um projeto mais audacioso que previa inclusive a substituição da sede de Gal. Severiano por construções modernistas.
O prédio com um grande vão livre apoioado por colunas “paralelas” ao formato do “invólucro” exteno e totalmente fechado com grandes paines de vidros ray-ban e com claraboias circulares logo ganhou um dos típicos apelidos cariocas …”Mata Borrão”.
Mas nem a grife Niemeyer poupou o prédio da destruição, o Botafogo após fazer uma negociata imobiliária nos anos 70 com a Vale do Rio Doce, vendeu sua sede para a então estatal levantar sua grande sede, o que foi obstacularizado pela pressão popular culminando com a mudança de gabarito do local, ficando a Vale com um grande mico preto na mão e o Botafogo sem suas raízes. Já nos anos 90 o clube para reaver sua histórica sede, com o prédio principal ainda de pé, mas em ruínas e só um lance de arquibancadas do estádio inteiro,  fez inúmeras manobras políticas, conseguindo reaver o terreno de sua velha sede, que tinha sido doado pelo poder público nos anos 30, ganhando um sítio histórico e perdendo outro a da velha garagens de barcos.
No local do modernismo, surgiu o barroco cafona do “pos-moderno” num prédio que simplesmente briga com todo o seu entorno, retirando o horizonte da Rua Voluntários da Pátria, brigando com o Morro do Pasmado, e sufocando o emboque da Rua da Passagem, um espanto de vidros espelhados, granitos arroseados corado por uma pelota dourada…
As fotos mostram também alguns detalhes do urbanismo da região, como os postes  de modelo americano oriundos da Park Way e postes padrão light de braço reto, colocados ali nos anos 60 para reforçar a iluminação.
A passarela metálica que existe no local só seria colocada poucos anos a frente no primeiro Governo Chagas Freitas depois de uma sucessão de atropelamentos no local.
No fundo outra obra de mais um grande nome do modernismo o completo programa, uma máquina de morar que comtempla prédios de vários tamanhos e tipologias e atgé mesmo casas, o Casa Alta de Sérgio Bernardes.
Fotos de Gyorgy Szendrodi

16 comentários em “Piscinas do CR Botafogo – 1971”

  1. Boas lembranças ao ver estas fotos. Era frequentador assíduo dos jogos de volei e basquete neste ginásio. Grandes times cariocas jogaram aí, numa época que não existiam esses times de empresa, sem alma.

  2. Belo complemento dos outros dois posts. A qualidade das fotos é ótima.
    Essa região da Botafogo é até hoje mal resolvida. Uma intervenção se faz necessária.

    1. De fato o Decourt tomou um “atalho” histórico. A origem do terreno é de fato o CR Botafogo, instalado no local desde o início do século 20. O Botafogo FC tinha sua sede em General Severiano. Os dois clubes se fundiram em 1942 (ontem fez 69 anos).

  3. Estava vendo essas fotos agora mesmo e imaginando quais o Andre ia escolher.
    Tem mais uma, que mostra do lado esquerdo da construção, o letreiro da “Churrascaria Botafogo”, que viria a ser a Estrela do Sul. Aliás não sei se esta se originou no Maracanã e depois comprou a do Botafogo, ou o inverso.
    Tenho a impressão que no fim da vida essa sede já não tinha mais esse gradeado na frente, e sim uma construção onde ficava justamente a churrascaria.
    Ao contrário dos colegas não acho o “Ferrero Rocher” tão ruim assim. É relativamente baixo, não obstrui a vista do Pasmado e na minha opinião até se integra com os prédios modernos do fim da praia de Botafogo e o Casa Alta.

  4. Complementando o Rafael Netto, estas grades saíram de cena entrando o muro branco que contornava toda esta sede. Em função da venda do palacete de General Severiano para a Vale, o clube teve que construir ao longo do ex gradil salas para a presidencia, para as diversas vice-presidencias e departamentos esportivos. Meu pai enclusive foi vice de patrimônio na gestão de Emanuel Sodré Viveiros de Castro, o Maninho (biênio 83/84) sendo uma destas salas por ele ocupada. Tempos difíceis do Glorioso, tendo meu pai comprado até o aparelho de ar refrigerado.

  5. Não entendi uma coisa. A churrascaria Estrela do Sul, atualmente na esquina da Praia de Botafogo com Voluntários da Pátria, chegou a funcionar no Mourisco? Há uma outra Estrela do Sul, só que depois do túnel. Em frente ao atual monstrengo, existe a churrascaria Cruzeiro do Sul.
    As fotos do Sr Gyorgy Szendrodi sempre nos surpreendem.

  6. Gostaria de acrescentar ao texto primoroso da apresentação. Vemos o “Mata Borrão” (apelido carinhoso) do Niemeyer, o “Casa Alta” do Sergio Bernardes (um incrível criador) e dois prédios da autêntica produção imobiliária carioca, caracterizados pelas ‘paredes cegas’.
    Imagem eclética!

  7. História pura, apesar das confusões de estilo. Por favor Andre
    se você puder explicar melhor: O terreno da sede antiga do Botafogo, foi doado pela prefeitura assim sendo nâo podería ser vendido certo.

  8. Grato ao site. Emocionante. Somente a ganância desonesta e muita estupidez poderiam ter destruído essa paisagem e essa memória. Um dia, quem sabe, se a inteligência prevalecer, a paisagem volta, com a eliminação dos atuais espigões do dinheiro e a reconstrução da obra do gênio. Obrigado também aos comentaristas, com tantas informações arquitetônicas de qualidade.

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