Rua São José esq Av. Rio Branco 1971

Hoje iniciamos o desbravamento de mais um arquivo particular, que permaneceu décadas escondido de todos até o momento que seu autor e proprietário o Sr. Gyorgy Szendrodi, Húngaro de nascença e Brasileiro naturalizado e hoje residindo nos EUA resolveu colocar todas as fotos tiradas em décadas de hobby na internet, pois ele entende que as imagens são um legado à todos. O Sr. Gyorgy tomou essa decisão com 90 anos e já colocou mais de sete mil imagens na grande rede, e com quase 92 anos promente colocar mais.
Do Rio ele já disponibilizou umas centenas de imagens que abrangem o curto período de 1970 e 1971, mas certamente há mais fotos de nossa cidade, que graças a generosidade de alguém que conhece o valor de fotografias não serão perdidas ou pior descartadas no lixo como já cansamos de ver na feira da Praça XV, tendo os FRA’s conseguido resgatar uma ínfima amostra.
Por fim não posso deixar de agradecer ao Ivan Tavares Sarmento, que garimpando de forma curiosa pela rede encontrou as imagens, e me mandou o email  do Sr. Gyorgy, pelo qual fiz contato com uma pessoa apaixonada pelas imagens, que nos cedeu empolgado suas imagens para que possam ser mostradas e comentadas no espírito do site.
Vamos então às duas imagens de hoje.

A vista que temos existiu por um curto período de tempo, a convivência do moderno Ed. De Paoli respeitando o trajeto do prolongamento da Av. Nillo Peçanha, um dos eixos do Plano 100, com a velha Rua de São José, de traçado colonial, embora alargada por Passos, que comunicava um dos núcleos primais da cidade com os sertões.
A velha filial da Gastal, revendedora Willys Overland do Brasil estava no local do demolido prédio de A Exposição, posto ao chão pelos bombeiros após violento incêndio que o consumiu em 1953 ( http://www.rioquepassou.com.br/2010/09/30/demolicao-das-ruinas-da-a-exposicao-julho-de-1953/ ) tendo sido o maior incêndio da cidade desde o do Parc Royal nos anos 40. Vemos que o prédio da Gastal não passava de um grande galpão, com baixo valor construtivo pois o lote já estava gravado para o traçado da nova avenida.
O prédio nos dá inclusive a impressão de já estar abandonado visto que a marca Willys desaparecia do mercado por ter sido absorvida pela Ford. O curioso é que se os planos de demolição do quarteirão da S. José não tivessem sido implementados  nessa época o De Paoli corria o mesmo risco ficar em igual situação que o Ed. Darke de Mattos, com uma escura galeria lateral que só desapareceu com a construção de um novo prédio e a criação da Travessa dos Poetas de Calçadas, já nos anos 70.

Já a segunda foto dá uma pequena panorâmica do quarteirão desaparecido da R. de São José, bem como do Ed. Av. Centrtal em seu tempo de fausto em destaque a elegantíssima loja da Lufthansa, que tinha por tradição expor uma “miniatura” de grande tamanho de sua aeronave mais moderna bem na vitrine.
A foto também é fantástica pois nos dá em um angulo que pode ser reproduzido nos dias de hoje da exata posição de demolido prédio em estilo déco da Ordem Terceira, que abrigou por décadas o loop do bonde de Santa Teresa ( http://www.rioquepassou.com.br/2004/01/06/1386/ e http://www.rioquepassou.com.br/2004/01/05/1384/ ) como também é um ótimo localizador de onde ficava do velho Chafariz de Grandjean, demolido nos anos 20.
As duas imagens mostram a grande confusão que imperava na sinalização luminosa na Guanabara, sinais velhos e obsoletos com sistemas de 2 e 3 cores misturadas, que culminaria com a grande reforma que o Coronel Celso Franco já estava implementando com aplicabilidade no final do EGB quando o primeiro protótipo do novo sinal “padrão rio” foi instalado, curiosamente com a cor laranja inves de preta, nesse mesmo cruzamento. Tendo sido por muitos anos o sistema de sinalização luminosa mais moderno do país e que foi desfalcado em várias artérias principais como na própria Rio Branco para uma incial e desastrada troca das lentes dos sinais por unidades de Led’s há mais de dois anos atrás, e que não foi reparado até agora.
Ambas as imagens podem ser apreciadas em alta resolução, bastando clicar com o cursos nelas.
Fotos de Gyorgy Szendrodi

16 comentários em “Rua São José esq Av. Rio Branco 1971”

  1. Grande descoberta, Andre.
    imagens do cotidiano da cidade, com as pessoas, ruas, edificações etc são muito interessantes. Fazer as comparações de “ontem e hoje” eu também gosto.

  2. Grande acervo, pelo visto. Não me lembro desse prédio da revendedora Willys. Para mim, foi surpresa. Até demorei a me localizar. Só com a segunda foto percebi onde era o local.

  3. Jamais soube da existência dos prédios mostrados em ambas as fotos. Resumindo, um quarteirão inteirinho foi abaixo…

  4. Simplesmente sensacional!
    Do quarteirão me lembro. Não lembro é do prédio da Gastal.
    Outros tempos, sem camelôs, todos vestidos adequadamente, etc.
    Excelente a dica do Ivan.

  5. Espetacular, sensacional, maravilhoso…
    Esqueci algum adjetivo?
    Cada vez mais descobrimos tesouros inestimáveis na internet. Espero ansioso as próximas fotos.

  6. Fantástico! Teremos muitas postagens absolutamente imperdíveis.
    Já comprei uma poltrona nova e mais confortável, troquei a tela do micro e já estou pronto para me deliciar com o Rio de antigamente.

  7. Parabéns Andre, pelo achado fantástico! As fotos são maravilhosas e ainda podendo ser vistas em alta, será uma série inesquecível.

  8. Exatamente nessa época eu trabalhava no Ed. Cardeal Arcoverde, São José 90, 4o. andar e minha janela dava de frente para a Rio Branco. Grande lembrança essa da Lufthansa mostrando as miniaturas. Quase todos os dias ia dar uma conferida na vitrine para ficar admirando o avião. Almoço no Terraço Italia, uma chegadinha na Pardellas, ver no Cineac o Canal 100 com os filmes da Copa de 70… Grandes recordações.

  9. Numa noite abafada de novembro, depois de um extenuante dia de trabalho, eu bebia uma dose de Brandy Osborne. Zapeei a tv a cabo e idiotizado entre centenas de canais, girava por comerciais de maiôs para encolher barriga, escadas que fazem café expresso e celulares que servem, acredite se quiser, para fazer ligações telefônicas. Então, finalmente um clique fortuito, tropecei num tesouro que começava na TV BRASIL: Orfeu Negro (http://www.imdb.com/title/tt0053146/). Obra épica dirigida por Marcel Camus. Filme italo-franco-brasileiro.
    Intrigado com a locação principal da obra de 1959, me pus a procurar no Google Earth um ponto abismal em que se veria panoramicamente a praia de copacabana e a face do Pão de Açúcar voltada para a praia vermelha. EUREKA! Morro da babilônia.
    Cliquei num ícone fotográfico aleatório em cima de tal locação. Tomei um susto. Era uma foto estupenda da praia do leme em 1971. No panoramio comecei a navegar pela coleção do senhor Szendrodi.
    A jornada cinematográfica pelas ruas do Rio do fim dos anos 50 ao som de Vinicius de Moraes acabou em tragédia e em samba na TV. A dose de Osborne, aos poucos, se tornou em meia garrafa. O dia nasceu.
    Coincidência? Destino? Acaso? Não sei. Acho que foi um dia de sorte.
    Como assíduo dos FRA, porém nunca comentarista, pensei na alegria que estas fotos causariam neste pequeno (mas prolífico) grupo de aficcionados. Então repassei as coordenadas ao nosso nobre webmaster André Decourt. É deveras sensacional a obra de Gyorgy Szendrodi, fotógrafo Hungaro-Brasileiro-Norte americano.

  10. Espetacular, sensacional, nunca imaginei que ali existiu alguma construção na nilo peçannha ,poxa era continuo ate pouco tempo e da pra ver daqui que naquela época já existia o Banco do Brasil, grandes lembranças do centro, e e realmente incrível como o Rio de Janeiro foi uma constante metamorfose parabéns pelo Blog sensacional.

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