Av. Pres. Vargas, conjunto de viadutos do Trevo das Forças Armadas, 1967

A foto de hoje foi enviada pelo colega Hélio Ribeiro (  http://www.bondesrio.com/ ) e mostra uma região que foi sendo drasticamente alterada ao longo do séc. XX, o final da hoje Av. Pres. Vargas.
As primeiras transformações datam do período Passos com a abertura da Av. Francisco Bicalho e o prolongamento do Canal do Mangue até a nova linha do litoral, além disso a prefeitura de Passos promoveu uma reurbanização das antigas ruas Visc. de Itaúna e Senador Euzébio que partiam da região do Campo de Santana e a partir da Praça XI ladeavam o canal mandado construir para dissecar de vez a região por Mauá.
A região pouco sofreu com a abertura da Pres. Vargas, apenas os largos canteiros centrais das duas vias foram estreitados para o alargamento das pistas de rolamento. Mas a maior mudança foi por decreto, que desapropriava ainda nos anos 40, de forma branca toda a região em volta, penetrando por alguns quarteirões como parte do equivocadíssimo projeto do Bairro-Cidade uma fantasia fascistóide que condenou toda a região ao abandono, decadência e posterior demolição, para nada, já nos anos 70.
Um dos sinais para o pouco interesse da Adm. era a manutenção por postes estilo NY em uma via tão larga, na época da foto vários já haviam sido substituídos por modelos “canadenses” também pouco adequados, enquanto o trecho novo, aberto através da destruição de quarteirões ganhava nova iluminação com grandes globos, suportando lâmpadas incadescentes de até 1.000W.
Estamos em 1967, a região desde 1963 estava em transformação, com o intuito de resolver o gargalo viário a porta de entrada da Tijuca e subúrbios da Central com o Centro da cidade, ainda feito por vias estreitas e 3 pontes, duas bem  estreitas. Demoliram-se quarteirões entre a Praça da Bandeira e a foz do Rio Comprido, suprimindo-se ruas, e eliminando a maior garagem de bondes da cidade, do velho traçado urbano do local, mais nada sobra, apenas no meio dos viadutos algumas amuradas que demarcam até hoje o contorno primitivo da união da Av. Francisco Bicalho com as demais ruas.
Os trilhos de bonde, na pista da direita ainda teimam em seguir, embora interrompidos pelo Viaduto dos Marinheiros, do qual só vemos a rampa de acesso, o caminho da principal ponde de ligação, já tomada pelo entulho e capim, embora em alta resolução podemos ver um globo de um dos postes que ficava em sua amurada. O viaduto dos Fuzileiros já estava operacional e o dos Pracinhas em conclusão final. Aliás  claramente em homenagem a Ditadura de 64 deturpou-se o nome histórico do local, o qual o primeiro viaduto a ficar pronto remetia-se diretamente a um festival de tropas, que nada tem a ver historicamente no local.
Nas duas margens da avenida vemos o casario, ainda íntegro mas que em menos de 10 anos seria totalmente demolido, numa das mais atabalhoadas reformas urbanas já vistas, o grau de destruição e desconexão do tecido urbano foi tão grande que até hoje a região é tomada de vazios e sub-aproveitada, num loca extremamente bem localizado e com toda a infra-estrutura possível. O que não foi demolido da Região da Cidade Nova está abandonado e em ruínas.
O pior que cada vez mais o poder público e entidades relacionadas vem impossibilitando ainda mais qualquer chance desta destruída região voltar a ser um núcleo urbano. Desde os viadutos da Linha Lilás, passando pelo Sambódromo e chegando nas pontes da Metro-Rio e região cada vez mais é inviabilizada por agressivos mastodontes, uns com clara finalidade de mero marqueting político.

16 comentários em “Av. Pres. Vargas, conjunto de viadutos do Trevo das Forças Armadas, 1967”

  1. Fiquei impressionado.
    Bem acima, do lado direito, parece ser uma construção. Será que é a construção do prédio onde moro? O prédio se não me engano é de 1971.
    A garagem de bonde fica atras do viaduto que está em funcionamento, onde fica o prédio onde moro. Como disse o André acabaram “eliminando a maior garagem de bondes da cidade”.
    Dá para perceber também a rua Afonso Cavalcanti. Não consigo visualizar a igreja de S. Joaquim, acho que teria que aparecer!
    Triste é ver o lado direito onde estão as casas antigas! Hoje deserto e com uma baita passarela reluzente no local!
    Sempre que passo ali, vejo um letreiro, na ruina de umas das casa, quase caindo com duas letras: um é a “R” e a outra não lembro! Lembranças do tempo em que a região devia ser um polo comercial!!

  2. Derani, se virmos uma foto desta região do início do século passado, podemos dizer que esta região tinha uma aléia de palmeiras imperiais que, sem exagero, a cena lembrava bem o Jardim Botânico e passava um clima agradável. Mas agora… no verão atual… parece um escaldante deserto. Para ver como foi o progresso, ou melhor, o regresso.
    Não entendo muito de reflexo de água, mas no ponto mais ao fundo do canal do mangue, há um nítido reflexo. Este reflexo foi sinal de que em 1967 o canal era mais limpo ou tem nada a ver?

    1. Hélio Shiino, olá !
      O Canal do Mangue é uma obra de saneamento que drenou o Manguezal existente na época dos jesuítas.
      Com o aumento populacional, se tornou escoador de esgoto em natura e, desde então suas águas sempre são escuras.
      Só quando ocorre uma enorme precipitação pluviométrica na região do Centro, ao ponto de seu transbordamento, é que suas águas se turvam com a argila trazida dos morros vizinhos, adquirindo tom alaranjado.
      Abraços à todos !
      Rio de Janeiro Anula Para Reestruturar.

  3. Ver essas fotos é sempre uma gratificação saudosa. Passei minha infância (anos 40) andando de bonde pela Senador Eusébio e Visconde de Itaúna, em direção à Praça da Bandeira.
    Entre o que lembro estão os anúncios (azulejados ou não) dos sabonetes Dorly e Vale Quanto Pesa, e do analgésico Um Minuto.
    O que, porém, ainda não consegui resgatar, nesta internet tão pródiga, foi uma foto da Pedreira São Diogo, com seu enorme reclame, bem no alto.
    (Ficaria bastante à direita, na foto atual.)
    Vs. a encontrariam?
    Grato pelas memórias.

  4. Os veículos que subiam a Presidente Vargas demandando a Zona Norte podiam atravessar o Canal do Mangue em três pontos: o primeiro era no entroncamento da avenida com a antiga rua Machado Coelho, que ficava um pouco adiante (de quem vai para a Leopoldina) do prédio do Teleporto; o segundo era no prolongamento dos trilhos de bonde vistos na foto; o terceiro era na chamada Ponte dos Marinheiros, que ainda existe e fica colada ao viaduto da Supervia, perto da Leopoldina.
    Os engarrafamentos eram grandes, porque a travessia da Presidente Vargas exigia sinais de trânsito que ora paravam o fluxo que desejava atravessá-la, ora paravam o dos que desejavam seguir em frente em direção ao centro da cidade.

  5. Nessa área havia nada menos do que cinco garagens de bonde: uma no primeiro quarteirão da rua Pereira Franco (esta rua ficava quase ao lado do atual Teleporto), destinada aos bondes de manutenção e socorro; outra no segundo quarteirão da Pereira Franco, destinada a lidar com os trilhos dos bondes; a terceira (e maior delas) na rua Joaquim Palhares, onde hoje é o conjunto residencial Martin Luther King; a quarta era um depósito de bondes fora de circulação e ocupava uma boa área na rua Elpídio Boa Morte, na rota de um dos viadutos atuais (na foto, ficava à direita dos trilhos, após a travessia do Canal do Mangue); a quinta ficava mais próximo da rodoviária e abrigava as cocheiras da extinta companhia de bondes Villa Guarany. Ainda hoje o prédio existe lá. Parece que é tombado pelo patrimônio histórico.

    1. Não, seria construído no início dos anos 70, e mesmo até 1975 não seria visto, pois o lá vai um e o Rufino Pizarro só seriam construídos a partir desta data e inaugurados em 75 e 76

  6. Tenho 52 anos e nasci na rua Mesquita Junior (onde meu pai nasceu)que ficava próximo a subida do viaduto dos marinheiros na direção da atual rodoviária,acho que aparece nesta foto próximo de um caminhão na pista da direita.Se alguém tiver fotos gostaria de vê-las.

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