Av. Radial Oeste, circa 1973

Temos hoje um tardio post duplo com o Saudades do Rio – O Clone, que postou na última sexta feira, um recorte de publicação, reportando a inauguração do primeiro trecho da nova Avenida Radial Oeste: http://fotolog.terra.com.br/sdorio:1532
A foto postada por AD, é chocante e esclarecedora, pois mostra a novíssima avenida, com só uma pista cruzando a enorme Favela do Esqueleto, uma das maiores da cidade à época.
Muitos pensam que a avenida é projeto recente, mas ela é tão velha quanto ao Túnel Santa Bárbara, remontando ao anos 20 e ao Plano Agache. Na realidade a Radial-Oeste faz parte de um sistema viário, incompleto até hoje, e com poucas chances de ser realizado, de uma grande avenida ligando a velha Alfândega até o Meier, margenado as linhas da Central e com uma grande estação na Praça da Bandeira, unindo todas as ferrovias da cidade e retirando do Centro, pátios de manobra e trilhos, abrindo assim mais terrenos para urbanização.
Mas dessa grande e imaginada avenida o único trecho pronto, como mais ou menos imaginado foi a Pres. Vargas.
Mas como ocorrido com a Av. Brasil, a cidade precisava de uma via e caráter análogo, de penetração rápida aos subúrbios da Central, como ela foi aos subúrbios da Leopoldina.
Nos anos 50, as desapropriações para a abertura da nova via começaram, mas as dificuladades orçamentárias da enfraquecida PDF, faziam a obra se arrastar. Na administração Dulcídio Cardoso, inclusive foi criado um órgão especial para comandar as obras, o STEARO ( Serviço Técnico da Av. Radial Oeste), que começou somente em 1955 a abrir o primeiro trecho, junto ao Maracanã, com demoradas demolições, construindo um trecho desconectado do resto  do sistema viário da cidade.
Mas, só com a criação da SURSAN, a super autarquia, criada por Negrão de Lima, ainda no DF que a obra começou a andar de fato, com complexas obras de engenharia, como a retificação da calha do Rio Maracanã.
Mas foi com o Governo Lacerda que as obras realmente progrediram, como mostra o post de AD, a ligação Praça da Bandeira-São Francisco Xavier foi finalmente estabelecida e a SURSAN pretendia continuar as obras, retificando  vias criando um largo corredor paralelo a Av. 24 de Maio. Que podemos perceber no primeiro trecho da Av. Marechal Rondon, além de conjunto de viadutos, que começaram a ser executados, novamente com custosas desapropriações no governo seguinte, de Negrão de Lima.
Mas as custosas desapropriações numa ainda valorizada região suburbana paralizou a abertura desta nova avenida às portas do Meier, já nos anos 70, sendo o resto do trajeto feito com simples alargamentos e abertura de algumas comunicações entre vias. Mas longe de um traçado retilíneo como era pretendido.
Nossa foto de hoje mostra o alargamento do primeiro trecho da Av. Radial Oeste, da Praça da Bandeira até São Francisco Xavier, feito na última administração da Guanabara,  de Chagas Freitas, que terminava também, os dois sistemas de viadutos desta parte da via de penetração . O Tijuca- São Cristóvão, hoje tendo o principal viaduto o Oduvaldo Cozzi, que complementa o velho viaduto de São Cristóvão. E o sistema Vila Isabel- Benfica, com o viaduto da Mangueira, que viria auxiliar o Viaduto Anna Neri.
Estamos curiosamente na altura da primeira parte aberta da avenida, junto a Maracanã, um pouco mais à frente a velha passarela que servia a estação Derby Club, bem modificada quando a construção da Linha 2 do Metrô, vemos os postes curvos de 9 metros já com luminárias de mercúrio, no lugar das fluorescentes da época da inauguração da via, no governo Lacerda
De lá para cá, nada foi feito, apenas a eliminação de uma travessia de pedestres.
A foto por ser de má qualidade não permitiu a ampliação em máxima resolução.

13 comentários em “Av. Radial Oeste, circa 1973”

  1. André,
    hoje vi um reportagem do JB sobre as últimas “casas de praia” (Copa, Leme, Leblon) do Rio de Janeiro e uma dessas casas é o Consulado da Áustria, uma casa de 1928 e que será demolida. Você tem algum post aqui dessa casa? Se não tiver pode disponibilizar alguma foto antiga dessa parte da praia?

      1. Lembrando ainda que o mecanismo de busca, na aba direita superior do site é muito preciso, buscando qualquer post que já tenha sido carregado no servidor, mesmo os velhos do fotolog, pois já temos disponíveis aqui de novembro de 2003, a março de 2007, e a partir de dezembro de 2007 até hoje.

  2. Então o antigo plano era construir uma segunda “Avenida Brasil” ao longo das linhas da Central? Não deixa de ser uma ideia parecida com a que foi feita em outros lugares do mundo, em especial nos EUA mas também ali em Buenos Aires e (acho) algumas cidades da Europa, arrasar quarteirões para passar vias expressas. Como “nada anda nesta terra” (apud D’) os nossos subúrbios foram salvos da intervenção…
    PS: o Consulado da Áustria vai mesmo ser demolido?

  3. E impressão minha ou a estação de trem Maracanã ainda não existia? A propósito, a estação chamava-se “Derby Club” e depois foi rebatizada de “Maracanã”. Mas o sumiço do letreiro Derby club que ali estava foi criminoso? Sabe dizer se foi um criminoso comum ou engravatado que tirou o letreiro de lá?

    1. O Maracanã era isolado e desconectado das vias de circulação, tal qual fizeram com o Engenhão. Plantaram um elefente dentro de um pires.

  4. O grande Engenheiro José de Oliveira Reis, colega de Reidy na Prefeitura faz duras críticas ao ex prefeito Carlos Sampaio por ter cancelado(ciúmes)em 22, um projeto de Paulo de Frotin de 1919, que criava uma grande avenida começando na B.de Bom Retiro chegando até o Lgo. de Campinho onde bifurcava para Jacarépagua e estrada de S.Cruz.Era considerada como precursora da Radial Oeste. Como se vê a coisa vem de longe.

  5. em 1978 mudei da rua radial oeste para oswaldo cruz após a desapropriação das casas em que residiam os ferroviarios da RFFSA meu avô era maquinista aposentado e tivemos dois meses para entregarmos a casa para as obras da construção do metro na época só ficaram as barracas construidas para os operarios da obra com materiais que sereiam usados na construção do metrô, quando acabou a obra invadiram aqueles espaços muitos comerciantes e hoje tem moradores também naquele local atualmente hoje a favela do metrô como é chamado . esta sendo desapropriada pelas pessoas que envadiram os barracões que ficaram da construção do metrô.Ee os moradores aposentados da ferrovia que tiveram que sair daquele mesmo lugar ninguem teve pena , será? ninguem sabe dessa história né? uns conseguiram casas na A Suburbana prox hoje beirando a linha amarela ao lado do Condominio Arena e outros receberam na epoca 220 mil cruzeiros que não dava para comprar nada prox as redondesas so encontranos na zona norte. detalhe não podiamos levar nada da casa , tanque, banheira, cx dagua, portas, janelas e depois vimos sendo retirados tudo pelos moradores do morro da mangueirae demais moradores. essa manifestação que foi feita na Uerj sem fundamento, dá pena mas naquela época se nós moradores fossemos unidos e tivesse essa democracia talvez estariamos bem locados e com uma boa indenização para podermos escolher um imóvel á altura . Eu estudava no Colégio Nossa Senhora de Lourdes e fiquei até o fim do ano pegando trem até minha casa para não perder o ano letivo. nós moradores da radial oeste , a minha casa ficava bem embaixo desta passarela do metrô era o nº 139 nao me esqueço da rua das inaugurações da praça que hoje tiraram , da rampa que dava ao acesso no maracanã , tenho fotos da epoca 1971 da inauguração foi tudo novidade. hoje sao historias e saudades que contamos aos nossos filhos todas as vezes que passamos por ali.

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