Os 18 do Forte

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Conforme o post passado continuamos hoje descrevendo os fatos conhecidos com o Levante do Forte de Copacabana, dando ênfase aos seus últimos personagens, os “18 do Forte”.
Com o esvaziamento da guarnição, por dispensa de seu próprio comandante, os oficiais e praças restantes continuaram a oferecer forte resistência as tropas governamentais, a estrutura física da fortaleza era tão superior que apenas 30 homens trancados dentro da fortificação na ponta do Posto VI continuavam repelindo todas as investidas, madrugada à dentro.
Na manhã do dia 6, o comandante da unidade, o comandante Euclides da Fonseca, se dirigiu ao ministério de Guerra a fim de negociar com o Ministro Pandiá Calógeras, passando o comando da unidade ao Tenente Siqueira Campos. Com a instrução, se não voltasse ou não desse uma contraordem a unidade deveria arrasar a cidade, disparando ferozmente em direção a todos os prédios governamentais até a munição acabar.
Euclides foi preso e prevendo que sua radical ordem poderia causar um banho de sangue, tentou demover Siqueira Campos da missão, o comandante interino da unidade estava propenso a negociar até que a notícia que o presidente Epitácio Pessoa, exigia rendição incondicional da unidade, chegou aos seus ouvidos. Furioso Siqueira Campos, sustou todas as negociações, apavorado o presidente deu ordens para a destruição da unidade por todos os meios de ataque. Nesse impasse, Siqueira Campos imaginou  a explosão do paiol do forte, que certamente levaira não só a unidade, mas grande parte do bairro para os ares. Novamente foi demovido da idéia de tão grande destruição por Eduardo Gomes.
Decidiu-se então abandonar a unidade passar para o combate homem à homem pelas ruas do bairro. A bandeira de unidade foi partida em 28 pedaços e distribuída aos revoltosos. Desse pequeno contingente nem todos saíram a rua, no caminho rumo à Rua do Barroso onde as tropas terrestres estavam concentradas se juntou um civil Otávio Correia, lhe sendo entregue um rifle e um dos pedaços da bandeira. Durante o caminho uma parte dos remanescentes abandonou o grupo, há divergências quanto ao número, de 11 ou 13 os que realmente enfrentaram as tropas governamentais.
Entrincheirados na beirada do calçadão os rebeldes enfrentaram as tropas por mais de uma hora, em ferrenho tiroteio em 3 frentes, pela Rua do Barroso, pela Rua Hilário de Goveia e pelo pátio do Externato Pitanga, resultando em 3 óbitos, inclusive do civil Otávio Correia.
Na foto, tradicional do movimento, de autoria desconhecida vemos os oficiais e o civil, marchando pelo Posto VI, é interessante notar que os rebeldes eram acompanhados por um bom número de civis, que arriscavam o pescoço de serem baleados em alguma emboscada. Ao menos que já soubessem que todas as tropas estavam reunidas na altura da praça Serzedelo Correia.

10 comentários em “Os 18 do Forte”

  1. Morreram só 3? Eu achava que tinham morrido todos menos dois.
    Essa foto é clássica na História do Brasil. Não sabia que era de autoria desconhecida. O fotógrafo também estava sendo bastante corajoso.

    1. Quase todos saíram feridos, Eduardo Gomes levou um tiro na parte alta da perna. As más linguas dizem que ficou “aleijado”, Siqueira Campos também foi ferido.

  2. Dos dois sobreviventes dos 18 do Forte, Siqueira Campos morreu pouco depois num acidente aéreo. Eduardo Gomes teve vida longa, tendo sido candidato à presidência da República duas vezes, pela UDN, e chegou a fazer parte da ARENA, tendo até recebido, em 1968, uma denúncia do sargento Sérgio “Macaco” de um gigantesco atentado terrorista bolado pelos comandantes do PARASAR junto ao plano de sequestro de líderes como Juscelino Kubitschek e Dom Hélder Câmara. Esses dois planos iriam fortalecer o poder da linha dura – o que não foi necessário, porque a linha dura pôde reagir noutra oportunidade, no caso do discurso de Márcio Moreira Alves – e o atentado seria atribuído aos comunistas. Felizmente o atentado (explosão do Gasômetro, que atingiria tragicamente toda a cidade do Rio), que teria proporções piores que o do World Trade Center, não aconteceu. Eduardo foi solidário ao Sérgio “Macaco”, que no entanto foi preso a pedido de outras lideranças militares.

  3. A foto não é de “autor desconhecido”, não. Embora esteja no acervo do CPDOC-FGV, com marca e tudo, ela é de Zenóbio do Couto, fotógrafo da revista O Malho, que atravessou a cidade e arriscou a vida para dar esse “furo”.
    Vamos dar o devido crédito. É justo e necessário. Obrigado.

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