Obras da Estação Uruguaiana, anos 70

andredecourt's photo from 11/23/07 

Durante o feriado acompanhamos pelos jornais o incêndio do Camelódromo da Rua Uruguaiana, que destruiu aproximadamente 260 lojas das 1.600 ( !!!!! ) ali existentes, e que poderria ter sido muito pior, ou melhor para cidade, graças a pronta intervenção dos bombeiros.
O Camelódromo hoje é um dos maiores estorvos urbanísticos, policiais e aduaneiros do Centro da cidade e localizado numa região que teria tudo para ser agradável e útil, se estivéssemos numa cidade com um histórico de administrações menos populistas.
A nossa foto de hoje, mostra a razão da grande área de terra arrasada no local, que destruiu inúmeros imóveis e tirou do mapa quarteirões de ruas históricas da cidade.
A Estação Uruguaiana por estar localizada num ponto de mudança de rota da Linha 1 do Metrô é uma das estações com a curva de suas linhas e plataformas mais acentuadas, e certamente junto com a Estação Estácio a que afetou a maior área em termos de superfície para ser construída, e muitas vezes sem motivo.
Mas mesmo com toda a destruição a Uruguaiana entra no rol das estações nunca concluídas, que na Linha 1 engloba um grande número: Largo do Machado, Botafogo, Carioca, Siqueira Campos, Pres Vargas etc…
Como grande parte das elencadas em cima a parte inconclusa da Estação Uruguaiana se refere a acessos, no caso um dos acessos que cruzaria a Av. Pres. Vargas está praticamente concluído mas lacrado desde das obras, por passar na zona de segurança dos cofres do Banco Central; que tem um de seus prédios na Esquina da Rua Uruguaiana com a Av. Pres. Vargas. A falta desse acesso obriga um grande número de usuários a disputar com os carros a travessia da Pres. Vargas, travessia essa que poderia ser feita com toda a segurança.
Nossa foto mostra claramente detalhes do trajeto da linha do Metrô no local, bem como os transtornos causados pela construção, como a interdição de mais da metade das pistas da Av. Pres. Vargas. A construção da estação desapareceu com quarteirões das Ruas Uruguaiana, Andradas, Alfândega e Senhor dos Passos. Bem como o desaparecimento quase total de uma rua, a Armando de Sales Oliveira, já bastante afetada com a abertura da Pres. Vargas e que hoje consta com pouquíssimos imóveis de pé, ficando numa das bordas da área afetada pela destruição.
A foto mostra que vários sobrados foram demolidos posteriormente à obra da estação, sem motivo aparente, aumentando ainda mais o aspecto de terra arrasda do local.
Por uma tacanha lei não é permitido construir por sobre as estações do Metrô, e mesmo que essa lei fosse modificada, apenas as Estações Botafogo e Siqieira Campos tem hoje uma rede de pilares que poderiam ser utilizados para a construção de estruturas.
Para Botafogo estava previsto um grande terminal de integração, ed. garagem e lojas, e na Siqueira Campos um anacrônico shopping center, numa região já totalmente saturada.
 

Comments (8)

barbera 11/23/07 11:38 AM …

SALVE 1 SALVE !
PARABENS PELA DEDICACAO
ESTE BLOG E ESTUPENDO….
GRANDE ABRACO
E BOM FIM DE SEMANA

triunfodapintura 11/23/07 1:27 PM …

Otima tomada.
Bom fim de semana.

buraite 11/23/07 7:18 PM …

Eu lembro dessa época, a Pres. Vargas cercada de tapumes por todos os lados, uma poeira no ar, parecia que tinha havido um bombardeio no local.

rodrigonetto 11/24/07 8:45 AM …

Andre, há muito tempo eu comentei com um antigo funcionário do Metrô e ele me disse que a estação Uruguaiana também foi construída com fundações prevendo construções em cima, o que foi obstado pela legislação idiota.
O terreno ficou vazio por mais de uma década, enquanto a Rua Uruguaiana transformou-se num antro de camelôs. O Camelódromo foi a “solução” para liberar a rua, e por isso herdou o nome. No início era simplesmente uma praça mal-urbanizada onde as bancas eram montadas, depois “evoluiu” para o mafuá que lá está.
Eu sonho com uma reconstrução do local com construções que reproduzam externamente os antigos sobrados, integrando-se com a Saara. Por dentro, poderia até continuar a ser camelódromo, mas limpo e iluminado, nos moldes dos que existem em SP e BH.

rodrigonetto 11/24/07 8:45 AM …

http://fotolog.terra.com.br/rafael_netto

jban 11/24/07 4:52 PM …

Esse lugar é um mafuá ! Pena que não queimou todo.

 

esanchez 12/3/07 10:11 PM …

“O Camelódromo hoje é um dos maiores estorvos urbanísticos, policiais e aduaneiros do Centro da cidade e localizado numa região que teria tudo para ser agradável e útil, se estivéssemos numa cidade com um histórico de administrações menos populistas.”
Ainda não li nenhuma descrição melhor do que esta, concordo plenamente!

2 comentários em “Obras da Estação Uruguaiana, anos 70”

  1. Este trecho da Uruguaiana deveria ser reorganizado, pois cada dia que passa vira um verdadeiro caos ao sairmos da estação ou vindo da Presidente Vargas.

  2. As suas fotos são valiosas.
    Mas é preciso lembrar que o espaço urbano capitalista tem diversos agentes modeladores: o estado, os grandes industriais, os promotores imobiliários e os grupos sociais excluídos, ou incluídos precariamente. Ou seja, o camelódromo não é um ” estorvo urbanístico”( que é um termo absolutamente preconceituoso e vertical), é apenas um fragmento de cidade modelado por um grupo social que não tem condições (por incompetência do estado) econômicas para faze-lo de forma adequada. O que ressalta ainda mais o seu valor, por se basear em uma arquitetura de improviso e fragmentada, semelhante a que vemos nas favelas. E que também, mesmo não sendo levados em conta pelo estado, conseguem com as próprias mãos se estabelecer material, politica e economicamente, tendo todo um conjunto de regras e comportamento que embora não seja levado em conta pelo direito positivado pelo estado, os coloca em uma condição de estado de direito inoficial, o que agrega muito valor a estes trabalhadores, já que alí existe produção de cultura, das mais variadas formas. Não é ilegal, pois não tem intenção de burlar qualquer lei, é informal e inoficial, mas o é justamente por ser essa a opção que o estado dá a estas pessoas: de serem informais, e inoficiais. PS: Isso tudo não exclui o fato de que o camelódromo, pode e deve melhorar estruturalmente, principalmente por questões de segurança das 10mil pessoas que passam ali diariamente. Abraços

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