foto de andredecourt em 01/11/05

Av Nilo Peçanha, esquina com Av Rio Branco, 5/6/1940

Essa é uma foto que nos mostra muito das constantes transformações do Centro no séc XX.
Passavam-se pouco mais de 35 anos das reformas de Passos e a cidade era submetida às reformas do Estado Novo, que aproveitavam de muito o plano Agache aprovado nos estertores da velha república, mas que de muito contribuiu com as feições do Centro e de vários bairros da Zona Sul e até Zona Norte como a Av. Radial Oeste.
Nessa foto podemos ver que o prédio da primeira geração da Avenida Rio Branco na esquina com a rua São José já foi demolido para a abertura da nova via, a cicatriz na empena cega à direita nos mostra isso.
Na rua da Ajuda, renomeada por Passos de rua Chile e talvez nessa época ainda assim chamada, vemos também as cicatrizes nas paredes dos sobrados de ambos os lados, o que impressiona é a largura da rua, ainda sem os afastamentos criados com a construção dos prédios nos anos 50 e 60 como o prédio do BEG, depois Banerj, ainda mais, se pensarmos que ela foi alargada por Passos e no período colonial era uma das ruas com traçado mais correto da cidade. A construção que aparece à esquerda foi demolida com o passar dos anos, não sei se nessa época, ou pelo grupo Lume Empresarial para a construção de sua sede, que nunca existiu, ou desapropriado nos anos 60/70 para a construção da praça Melvim Jones, mais conhecida como Buraco do Lume.
Ao fundo vemos as avenidas novas construídas na esplanada do Castelo, chama muita a atenção o coroamento original do edifício Nilomex, na esquina da rua México, totalmente Déco e que desapareceu no final dos anos 50 com o avanço da fachada.
Também é de nota reparar que a Av Nilo Peçanha possuía um largo e arborizado canteiro central, que terminava com uma pequena marquise circular, possivelmente abrigo para o policiamento, vemos ainda terrenos vazios à esquerda, e na esquina com a rua Graça Aranha o prédio hoje ocupado pela Procuradoria da República ainda nos primeiros andares.
Em primeiro plano vemos um dos postes do canteiro central da Rio Branco já com as luminárias modificadas, e segurando os sinais de transito, curiosamente ainda angulados para o traçado da rua São José.

Comments (24)

rbpdesigner disse em 01/11/05 08:18 …
a foto está ótima!!!
[]s
luiz_d disse em 01/11/05 08:37 …
Olho, olho, olho e não vejo ninguém de bermudas, sandálias ou sem camisa – outros tempos!
Curiosíssimos os sinais de trânsito no poste em primeiro plano.
Belo registro.
http://fotolog.terra.com.br/luizd
photomechanica disse em 01/11/05 08:38 …
Boa foto, André. Foi voce que tirou?
:-))
Voce tirou algumo que apareça o Bolo de Noiva?
:-)))
antolog disse em 01/11/05 08:47 …
Bela foto.
Se não fosse arrasado, neste trecho ainda teríamos o Morro do Castelo, correto?
Rafael Netto disse em 01/11/05 08:58 …
Eu já vi essa foto em outro fotolog.
A impressão que se tem é que o lugar era uma zona!!! Cicatrizes urbanas, empenas cegas, casas “soltas”, estacionamento no meio da rua…
O prédio vizinho ao Nilomex (o Decourt sabe o nome) que dá pra Graça Aranha ainda tem o contorno original. Tem até uma espécie de torre circular.
Pra tirar essa foto hoje em dia ia ser preciso uma grua estacionada do lado do Avenida Central…
jban disse em 01/11/05 09:10 …
Em baixo na foto, à direita, AG com seu chapéu branco panamá, indo tomar um Chopp Gelado no Bar Luiz. Ele já era fiscal de botequim desde àquela época.
Detalhe para a calçada em pedras portuguesas à direita, no tradicional formato “ondas” , hoje restrito a Copacabana.
AG disse em 01/11/05 09:13 …
O morro do Castelo vinha até aqui ?
Acho que não. O limite, salvo erro, era nos fundos da Igreja de São José, inicio da rua do mesmo santo, isto é, mesmo nome.
Isso que o Luiz reparou é engraçado mesmo. Você não vê ninguém andando esculhambado. Naquele época ir “à cidade” requeria pompa e circustância. Alguns lugares tipo ministérios, autarquias, e escritórios de grandes empresas você não entrava sem gravata.
Velhos tempos, velhos tempos.
jban disse em 01/11/05 09:34 …
AG,
A Rua da Ajuda era um dos limites do Morro do Castelo. Não se esqueça que durante as reformas de Passos, parte do morro foi cortado para a construção da atual Rua México.
Leflaneur disse em 01/11/05 09:35 …
Tô com medo da cicatriz da empena cega… Isso é filme de terror, ou o quê?
Vc já viu uma empena cega ferida? São furiosas!!! :)))
jban disse em 01/11/05 09:39 …
Isso aí não é uma Park-Way ???? :-))
Fco Patricio disse em 01/11/05 09:49 …
Amigo AG, segundo o Sr. José Pereira Correia Lopes, gerente da Confeitaria Colombo ( ejuntamente comigo, um dos ultimos portugueses desta cidade)- as pessoas nesta epoca eram “muito bem vestidas: os homens usavam terno e as mulheres roupas muito elegantes, que hoje só usam em festas. Tinha gente que vinha de luva, usava leque para se abanar.(…) no restaurante existia um paletó para emprestar para os homens puderem entrar”. Hoje vejo gente de bermuda no local (que continua soberbo)- outros tempos.
Fco Patricio disse em 01/11/05 09:51 …
Correção :”…para os homens poderem entrar”.
AG disse em 01/11/05 09:55 …
JBAN, grande dica. Eu pensava que o limite era na Igreja São José e a fralda do morro seguia a atual Antonio Carlos. Vivendo e aprendendo.
Pois é, patrício, é uma pena que certos hábtos tenham desaparecido. Se bem que eu não ache que nesta terra tórrida caia bem terno e gravata. Mas isso não é motivo para se sair por aí de chinelão Raider, bermudão da Sandpiper e camisa do time preferido; que tenha vermelho e preto às riscas, então, é um horror !
Rafael Netto disse em 01/11/05 09:56 …
Uma curiosidade: o prédio à esquerda da foto, o último da Graça Aranha, tem o poço dos elevadores revestido de tijolos de vidro, ficando assim iluminado por dentro durante o dia.
E os elevadores originais também tinham vidro na parte de trás, ganhando assim iluminação natural. Destes elevadores restava apenas um na época que eu estudava no Goethe (tem uns 10 anos), não sei se ainda está lá.
jban disse em 01/11/05 10:48 …
Vamos lá. O Morro do Castelo era limitado pela Rua da Ajuda, Rua Santa Luzia (praia), Rua da Misericordia (extinta) e Rua São José.
Veja fotos e mapa em:
http://www.almacarioca.com.br/hist08.htm
edubt disse em 01/11/05 11:20 …
Acho essa Avenida medonha…
:-))
Marcelo Almirante disse em 01/11/05 12:35 …
Foto extraordinária, mostrando o limite entre o vazio deixado pelo Morro do Castelo e a cidade colonial.
Marcelo Almirante disse em 01/11/05 12:36 …
Junto de mais uma obra de alargamento.
lucia disse em 01/11/05 12:36 …
Ali na esquina seria uma “town house” ????
😛
Buenas!
Mauro_AZ disse em 01/11/05 12:38 …
Legal essa foto. Num desses predios ficava o Rotary Club, onde minha mae trabalhou por um curto periodo, na epoca do suicidio de Getulio. Concordo com o Tumminelli, tambem acho que essa Nilo Pecanha era bem feiosa. Talvez seja um dos poucos lugares do Rio que melhorou a aparencia.
photomechanica disse em 01/11/05 13:00 …
A coisa está ficando esquisita.
Park Way prá lá, Town House prá cá…
andredecourt disse em 01/11/05 13:18 …
Rafael eu me lembro desse elevador, o poço até hoje tem sua parte traseira com esquadrias de vidro jateado, ou imundos, não sem bem, pois só os vejo do ed. Mayapam, mas sem dúvida era bem interessante.
Na quinta coloco outra foto dessa região, só que agora no chão
lucia disse em 01/11/05 14:12 …
Já começava a me preocupar com seu silêncio…
😛
Rafael Netto disse em 02/11/05 21:13 …
A calçada no tradicional formato “ondas” também está no calçadão de São Conrado e na Lagoa, no trecho da Curva do Calombo. Vi hoje.