Ipanema anos 50

foto de andredecourt en 4/05/04

Neste fim de semana recebi umas fotos, de amigos do flog, todas mostrando o Rio que passou, o Eduardo Bertoni, mandou até umas colorizadas por ele no Photoshop umas obtidas aqui e outras que ele achou pela Net, e que me mandou também em P&B, sendo duas das fotos fantásticas, que serão postadas em breve.
Mas a que eu postarei primeiro é uma enviada pelo Alberto Benning, carioca, hoje morando em Recife, essa do seu arquivo de família.

A foto mostra o Alberto ainda criança numa praia de Ipanema muito diferente do que é hoje, reparem nas construções, na tranqüilidade e no urbanismo…
Vemos os típicos brinquedos que se vendiam nas praias até os anos 70, e ao lado vemos a base de um dos postes de iluminação da praia, esse foi o segundo modelo a iluminar a orla de Ipanema e Leblon, tendo uma diferenciação, na quase totalidade se utilizava postes de ferro fundido, popularmente conhecido como barbará, mas a maresia era tão agressiva nessa parte da orla que já na década de 30 a light se utilizou acredito eu pela primeira vez, de postes de concreto armado, pintados, mas utilizando o mesmo desenho básico dos outros postes da cidade, só a base que era bem mais bojuda, essa iluminação permaneceu até o início dos anos 70 quando a praia foi reurbanizada.
Do lado esquerdo do Alberto vemos a estátua do seu xará o Rei Alberto da Bélgica, cuja esta estátua é personagem de uma história muito interessante que contarei no final; já do lado direito na altura do seu boné temos a torre do famoso castelinho, uma das primeiras casas de Ipanema, construída em 1904 e demolida no finalzinho da década de 50, que ficava na esquina da Vieira Souto com Joaquim Nabuco.
Vamos voltar ao busto; originalmente ele ficava no largo formado no encontro das ruas Rainha Elizabeth da Bélgica e Conselheiro Lafayette , mas com aumento do tráfego nos anos 30 ele foi retirado e exilado na praia de Copacabana, e posteriormente com a retirada do canteiro central da Atlântica foi levado para orla de Ipanema onde ficou intinerante ao longo dos anos por vários lugares do canteiro central, Carlos Drummond de Andrade nunca se conformou e aceitou a separação do Rei de sua Rainha, e sempre defendia em poemas, contos e matérias para jornais à volta da estátua para o largo, que inclusive o poeta chamava de seu, pois era ao lado de sua casa na Conselheiro Lafayette, inclusive tendo esse largo ganho dentre os boêmios e intelectuais de Ipanema o nome de “largo do Drummond”, como uma gozação afetiva com o poeta .
Na década de 70 a estátua ficava lá pelos lados da rua Teixeira de Mello, mas essa foto é reveladora, pois mostra a estátua quase no Arpoador, sendo a visão da torre do Castelinho a prova mais irrefutável desta localização.
Para terminar com um final feliz, após a morte do poeta a prefeitura resolveu oficializar o nome do largo passando a se chamar do Poeta e foi reurbanizado, acabando com o mar de asfalto e carros estacionados e ganhando jardins, árvores, calçadas com poemas de Drummond e o mais importante a volta do Rei para a sua Rainha .
Foto tirada pelo pai do Alberto, entre 1956 e 1958

Comments (14)

yas_snape 4/05/04 11:17 …
Tem cervejinha hj sim Dr. hehehehe… E aí, vai?!?
Beijinhos
yas_snape 4/05/04 11:19 …
sim, por volta de 6 da tarde… Nos vemos lá então…
almacarioca 4/05/04 11:40 …
Recebi a foto, muito interessante a história.
yas_snape 4/05/04 11:48 …
Então chegarei 5:30… hehehehe
mzj 4/05/04 11:53 …
muito legal . . !!!
beatle 4/05/04 12:13 …
Bela história!
jimsk 4/05/04 12:47 …
Adorei ver Ipanema de uma forma que infelizmente não tive a chance de conhecer, e a estória atrás.
arcanoh 4/05/04 12:48 …
Interessante a história da estátua.
betob 4/05/04 13:15 …
Perfeito Mestre André !!! Apenas uma correção, hoje eu moro em Recife e não Manaus.
Abraços,
Alberto
jro 4/05/04 14:55 …
:-)))
Estes Papagaios eram lindos!!!
:-)))
Jason 4/05/04 15:47 …
Que beleza! Esses brinquedos infláveis (êpa!) que ficavam pendurados numas cordinhas no Arpoador me fascinavam quando criança. Alguns eram arrumados pela calçada, não sei como o vento não levava. São a lembrança mais antiga que eu tenho de Ipanema (bairro que eu achava muito atrasado, pque não tinha tantos prédios altos quanto a minha Copacabana, veja só!!).
bwanis 4/05/04 17:26 …
Foto do ano em que nasci!!!
Que beleza!!!
:))
marcelomartins 5/05/04 0:22 …
Nossa…muito bacana ficou essa foto…parece aqueles filmes que passam na sessão da tarde em “technocolor”…rrss
ze_lobato 5/05/04 8:16 …
Que coisa maravilhosa é esse resgate que voc~e promove. Hoje além desses papagaios que resistiram durante muito tempo por minha vida, hoje só existem em minha memória! E hoje vc aparece falando de Eduardo Bertoni, estudei com uma pessoa com esse mesmo nome no Colégio Andrews! Será que é o mesmo? Abraços

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