Sepultamento de Reidy


Estamos no dia 11 de Agosto de 1964, numa manhã cinzenta no cemitério São João Batista é enterrado Affonso Eduardo Reidy, nascido em Paris e falecido precocemente com apenas 55 anos de idade mas um dos mais importantes arquitetos modernistas do Brasil e junto com os irmãos Roberto, na minha opinião os melhores, por conseguirem executar programas completos indo de residências uni familiares até prédios institucionais de grande porte. Reidy ainda teve a qualidade de ter integrado por praticamente toda sua vida profissional os quadros da PDF e depois EGB deixando legados importantíssimos como o Aterro, o MAM, o Pedregulho, e é nesse ponto da solução para a habitação popular que Reidy se destacava, sua solução dos prédios fita nas encostas da cidade era genial e poderia ter se repetido dezenas de vezes, ajudando a reduzir o déficit habitacional da cidade.

Depois de muita pesquisa consegui descobrir o exato local do sepultamento do grande arquiteto, para minha surpresa o túmulo, já bem antigo, se encontra sem nenhuma identificação, parece que nunca foi acabado.

Sabemos a humildade do arquiteto, como também mencionou na época o Jornal do Brasil “o serviço funerário de extrema simplicidade”,  será que ela se reflete nesse franciscano jazigo, ou seus restos mortais foram transferidos para outro ao longo dos anos?
 

13 comentários em “Sepultamento de Reidy”

  1. Conheço uma pessoa que é proprietária de um apartamento no conjunto do “Pedregulho”, reside lá desde meados dos anos 60. É semelhante ao “Minhocão da Gávea e poderia se uma solução para o Rio, que possui tantas encostas.

  2. A sepultura não teria sofrido furto da identificação? É difícil para o cemitério confirmar quem está lá?

    1. Augusto, achei o número do jazigo pela reportagem do enterro.do JB, essa bate com a numeração. A tampa está fechada há muitos anos, ou se trocou a sepultura logo depois ou não foi feito nada. Essa é uma parte muito antiga do SJB, apesar de ser no platô, tem enterros desde a década de 80 do séc XIX, curiosamente a maioria era de crianças, esse próprio jazigo tem cara de ter sido esticado para caber um adulto, uma parte é de cantaria e a outra de alvenaria e o que está colado é de uma criança falecida em 1886. Há também muita gente da marinha mercante, como o que tem a grande urna de mármore bem lá na frente, as inscrições estão muito apagadas mas quem está lá morreu em 1860. Já as gavetas foram colocadas em 1950 e emparedaram muitos túmulos antigos, que tinham as inscrições viradas para o peitoril que sumiu.

  3. Esse seria de um cemitério e tanto para ser visitado se, por um acaso, aqui fosse uma nação. Acredito que a Beth Carvalho seja enterrado aí, não sei. O corpo ainda está sendo velado no Botafogo.
    Tive da oportunidade de entrar no cemitério da Recoletta, em Buenos Aires. Não havia perigo nenhum, apesar de no dia está deserto.
    Há tantos cemitérios que poderia ser de ponto turístico como o do Caju, o dos Ingleses, e o SJB.
    É como eu disse: Se isso aqui fosse um país. Não uma terra arrasada.

    1. Wolfgang, você não tem ideia do que é um cemitério! Para quem tem o dom da vidência, a visão é impressionante. Espíritos vagantes e atormentados, muitos deles sem ter a consciência de que não fazem mais parte do mundo dos encarnados. Além de espíritos com os corpos arrebentados, existem aquelas figuras que podem ser encontradas nas ilustrações da Divina Comédia de Dante Alighieri. É impressionante a visão da “Calunga pequena”…

      1. Joel. É estranho você dizer isso, porque eu me recordo de você dizer lá no site do Luiz que você é kardecista.
        Os Kardecistas, geralmente, dizem que no cemitério não há nada, exceto do que foi um dia o ser humano. Tanto que no dia de Finados, eles não comparecem ao cemitério no mesmo intuito que católicos, evangélicos, macumbeiros, e por aí vai.

        1. Sim, sou Kardecista mas isso não quer que eu não conheça o lado obscuro da espiritualidade. No cemitério “não há nada” no plano físico, mas “nós” somos espíritos. A matéria apodrece após a “morte” ou a passagem do indivíduo, mas o espírito continua vivo. O plano espiritual é infinito e quando você mencionou que no dia de finados os espíritas não comparecem aos cemitérios isso se deve ao fato de que ali “só existe um cadáver apodrecido e sem vida”, mas o espírito continua vivo e liberto dos liames da material.

          1. Então se somente há “cadáveres apodrecidos e sem vida” como você vê aparições e outras coisas bizarras e fantasmagóricas lá, como em seu comentário de ontem?

          2. Wolfgang, eu não sou médium mas centenas de milhares o são e não apenas veem, como também ouvem, e até se transportam em sonhos, como é o meu caso. Mas percebo que pelo seu comentário você deve ser ateu ou agnóstico. Estou certo

      2. Acho os cemitérios lugares tranquilos, tenho medo é dos vivos por entre as sepulturas, como não tenho medo da morte, lápides, imagens de arte sepulcral e até mesmo ossos e odores não me impressionam, ando desenvolto por entre as sepulturas só tendo medo mesmo das picadas doloridas das Néfilas que fazem suas teias nas imagens.

  4. Muito interessante esse projeto lembrando aquele edificio de São Paulo
    o Copan que se não me engano é de Niemeyer.
    Valeria ser feito o projeto tanto de um como outro na favela da Mangueira , por exemplo.
    Entendo que seriam 4 ou 5 no mesmo lugar.

  5. Assisti a um documentário sobre os irmãos Roberto e fiquei impressionado. Eles eram arquitetos no verdadeiro sentido da palavra, e não artistas plásticos endeusados, como muitos dos mais famosos. E como você disse, projetavam vários tipos de edificação com a mesma qualidade. Qualidade no sentido de adequação à função, sem exibicionismo. Como aliás o quase “desconhecido” Paulo Mendes da Rocha.

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