Na nossa foto de hoje vemos uma praticamente deserta Barra da Tijuca vista possivelmente do topo da  Estrada Sorimã, no fundo da Barrinha. Na esquerda a base da Pedra da Gávea na direita a base do Pico do Itanhangá.
Podemos fazer uma analogia com a Copacabana no final do Séc. XIX, pelo vazio urbano e as traçadas e vazias ruas, mas há uma diferença primordial o veículo motor da ocupação dos dois bairros, num o principal transporte de massa de sua época, com uma rede de trilhos que ultrapassava 300 Km na época da abertura do Túnel Velho, no outro o automóvel e pouquíssimas linhas de ônibus conjugado a um plano urbanístico modernista que hoje curiosamente se mostra uma antítese da cidade moderna, pois torna o cidadão refém do automóvel até mesmo para acessar um possível transporte de massa em determinados pontos.
O plano Lúcio Costa, não realizado na íntegra até hoje e mutilado de forma que nunca será implantado de pleno, na intenção de evitar uma nova Copacabana ( a dos anos 50 em diante) tentou criar um bairro notadamente horizontal com poucos conjuntos de torres isoladas, muitas compondo condomínios mistos como Nova Ipanema, Santa Mônica, Novo Leblon etc…  Rodas motrizes para o desenvolvimento, e posterior solidificação do bairro e a região Oeste com o Centro Metropolitano, que surgiria quando os bairros criados e os pré-existentes na Baixada de Jacarepaguá estivessem integrados ao resto da cidade, deslocando uma parte do eixo negocial do velho Centro, integração esta realizada por 3 linhas de Metrô, vindas do Sul, do Norte e do extremo Oeste da antiga Cidade Estado, além da conclusão do arco-viário da Guanabara.
Mas se isso ocorre hoje, é por meios tortos, que certamente fariam o velho urbanista se envergonhar profundamente, o deslocamento está sendo feito de forma artificial e “doente”, pela pressão da especulação imobiliária e pela omissão estatal, ao abandonar regiões inteiras da cidade ao Norte à violência e a degradação provocando uma migração que não é acompanhada da infra-estrutura mínima que seria necessária a perfeita integração metropolitana.
O mais grave é a total ausência de meios de transporte de qualidade e capacidade não só para fora do bairro mas também para dentro do bairro, isso vem criando uma saturação do sistema viário como um todo, além de em um futuro próximo provocar a estagnação da região, pela imobilidade. O aceno do Estado com uma inadequada linha de metrô, que só funcionará nos dias do Jogos Olímpicos, chega ao ponto de ser patético, imoral e desonesto.
O bloqueio do Cebolão com equipamentos fora do planejado também é um absurdo pois todo aquele grande entroncamento foi planejado para ser o encontro das 3 linhas de metrô planejadas, da ligação interior seja por ônibus e VLT bem como um grande bolsão de estacionamento para moradores localizados fora do eixo viário principal por onde os meios de transporte de massa iriam correr. Tudo sendo jogado no lixo.
Acena-se com os Jogos Olímpicos como a chance para se reverter todos os erros do passado, mas se acenou com o Panamericano e vemos que a herança foi pífia, se resumindo a uma via parcialmente urbanizada onde a especulação imobiliária deita enormes condomínios construídos em Curicica e vendidos como do bairro vizinhos fossem, uma instalação esportiva consolidada amputada para a criação de custosos elefantes brancos e um condomínio construído em área turfosa, que nunca seria ocupada daquela maneira segundo os riscos de Lúcio Costa.
Além disso a ocupação da enorme Gleba 13, do tamanho de um Leblon completamente desconectada dos sistema de transportes da cidade é outro erro, também fomentado pela especulação imobiliária que vende apartamentos para a classe BA, que certamente desconhece como seus pobres “vassalos” chegam…. verdadeiro ovo de serpente que vem cercando o paraíso emergente de um polpudo cinturão de favelas.
Por fim temos o sistema viário incompleto, pois as importantes Via Parque e Grande Canal não estão ainda concluídas como a totalmente equivocada implantação do alargamento das Avs. das Américas e Ayrton Senna, as transformando de vias expressas com tráfego segmentado em largas e engarrafadas vias ordinárias, repletas de cruzamentos de nível e tráfego local obrigado a cruzar de lado a lado.
Essas são as mazelas do eldorado, tão eldorado que os imóveis na parte velha da cidade não param de subir, o que demonstra falta de equilíbrio urbano.
E nem entramos no campo dos esgotos, lembrando que Copacabana já tinha sua rede, com elevatórias inclusive, já sendo instaladas em 1910….